Com base na conclusão com sucesso da 17 ª reposição do Fundo Africano de Desenvolvimento (ADF-17), que mobilizou 11 mil milhões de dólares para os países mais vulneráveis de África, o Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento e o governo do Reino Unido reuniram investidores globais e líderes do setor privado em Londres para acelerar uma nova fase de mobilização de capital privado para o desenvolvimento de África.
O primeiro Dia de Mobilização de Capital Privado para África, realizado na Lancaster House, reuniu mais de 150 decisores de alto nível de empresas de private equity, fundos soberanos, fundos de pensões, companhias de seguros, organizações filantrópicas, instituições financeiras de desenvolvimento e agências de crédito à exportação — marcando uma mudança decisiva do diálogo para a execução.
O evento de alto nível foi organizado pelo Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento em parceria com instituições governamentais do Reino Unido, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Commonwealth e do Desenvolvimento (FCDO), a UK Export Finance e a British International Investment, “reflectindo uma ambição partilhada de alargar os fluxos de capital privado para as economias africanas”, refere comunicado oficial.
No seu discurso de abertura, o presidente do Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento, Sidi Ould Tah, descreveu o evento como uma continuação natural do processo de reposição do ADF-17 e um passo decisivo para abordar a lacuna de financiamento para o desenvolvimento de África, estimada em 402 mil milhões de dólares anuais (340 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual). “Vamos aproveitar os recentes compromissos com instituições financeiras de desenvolvimento, agências de crédito à exportação, fundos de pensões, fundos soberanos, companhias de seguros e parceiros filantrópicos para promover iniciativas concretas sob a nossa visão de uma Nova Arquitectura Financeira Africana”, disse.
O Dia da Mobilização de Capital Privado de África está alinhado com a visão dos Quatro Pontos Cardinais de Ould Tah, que se concentra em desbloquear o potencial de capital de África, reforçar a soberania financeira, transformar o crescimento demográfico em dividendos e fornecer infraestruturas e cadeias de valor resilientes.
Por seu turno, a ministra do Desenvolvimento do Reino Unido, Jenny Chapman, afirmou que “estamos muito satisfeitos por o presidente Ould Tah ter decidido realizar o primeiro Dia de Mobilização de Capital Privado aqui em Londres, reconhecendo o papel crucial da City na mobilização de investimentos para África. A mudança de papel do Reino Unido – de doador para investidor – apoiará os países que desejam expandir as suas economias e, em última instância, deixar de depender de ajuda externa”.
O programa contou com discussões centradas na reformulação das perceções de risco em África, na criação de plataformas financeiras inovadoras e na mobilização de capital em mercados frágeis e emergentes.
Uma nova análise da Base de Dados Global de Riscos de Mercados Emergentes, apresentada pelo Centro para o Desenvolvimento Global, revelou novas provas de que os empréstimos de longo prazo aos mutuários africanos têm sido historicamente significativamente menos arriscados do que se imagina.
“As discussões sectoriais realçaram o papel estratégico da saúde e da aviação no reforço da resiliência económica, da produtividade e da integração de África”. Aos participantes foram apresentados a duas iniciativas emblemáticas defendidas pelo Grupo Banco Africano de Desenvolvimento e pelos seus parceiros: o mecanismo de Financiamento de Medicamentos e Equipamento para África, desenvolvido em parceria com a Fundação Gates, proporcionará aos países africanos um financiamento previsível, atempado e acessível para garantir medicamentos e equipamento médico essencial; e o Programa Integrado de Transformação da Aviação para África — apoiado por um mecanismo de financiamento misto dedicado — visa modernizar e expandir o ecossistema da aviação africana, desde os aeroportos e as companhias aéreas até aos serviços de apoio essenciais para o comércio, o turismo e a integração regional.
Paralelamente, Ould Tah convocou uma mesa-redonda fechada com executivos seniores de aproximadamente 30 investidores institucionais de referência para explorar o lançamento de um Laboratório de Inovação do Sector Privado com foco em África. A plataforma proposta serviria como um espaço dedicado para cocriar novos instrumentos de financiamento, modelos de parceria e soluções de partilha de risco adaptadas aos mercados africanos.
“Os resultados do Dia da Mobilização de Capital Privado para África estão registados no Comunicado de Londres, que estabelece compromissos claros do Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento e dos seus parceiros para alargar a mobilização de capital privado para África. Serão realizados trabalhos adicionais para definir ações prioritárias e caminhos de implementação para ampliar a mobilização de capital privado em África, transformando a ambição em soluções escaláveis de capital e mitigação de riscos.
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