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Donald Trump anuncia reserva estratégia de minerais críticos

A ideia é que não faltem minerais críticos nos EUA. Este é um mercado dominado pela China.
3 Fevereiro 2026, 17h31

Donald Trump anunciou a criação de uma reserva de minerais críticos no valor de 12 mil milhões de dólares.

A ideia é ter um inventário disponível para combater o poder da China no mercado mundial destes minerais essenciais à transição energética.

A reserva conta com o nome de ‘Project Vault’ (Projeto Cofre) sendo comparado com a Reserva Estratégica de Petróleo criada em 1970 para assegurar reservas de emergência, depois de os países árabes terem embargado a venda de petróleo.

A missão é “garantir que as empresas e trabalhadores dos EUA não são atingidos pela falta” destes minerais, segundo o presidente norte-americano.

Além dos EUA, mais 11 países farão parte desta iniciativa, devendo ser anunciados em Washington na quarta-feira, com origem na Europa, África e Ásia, com direito a um discurso do vice-presidente JD Vance.

O projeto vai ser financiado em 10 mil milhões de dólares pelo banco estatal ‘US Export-Import Bank’, que apoia as exportações do país, e por quase 1,7 mil milhões em capital privado.

A China controla 70% da mineração de minerais críticos e 90% do processamento dos mesmos, com poder para influenciar a capacidade de fornecimento, mas também os preços.

“Não queremos passar pelo mesmo que há um ano”, disse Donald Trump na Casa Branca na segunda-feira, citado pela “Reuters”.

O presidente referia-se às restrições às exportações de minerais pela China em retaliação contra as tarifas dos EUA.

No sentido de reforçar este setor, o Governo norte-americano já entrou no capital da mineira americana MP Materials, e já forneceu financiamento à Vulcan Elements e à USA Rare Earth.

Minerais críticos. Europa quer parceria com EUA para combater China

A União Europeia (UE) quer fechar uma parceria com os EUA para os minerais críticos. A ideia é combater a influência da China, o principal produtor e refinador de boa parte dos minerais mais importantes para a transição energética, como no caso do lítio.

A parceria visa encontrar formas de explorar minerais críticos, contornando a China, que controla a cadeia de abastecimento global e consegue controlar os preços em alguns casos, como no lítio, aumentando a produção e afastando investidores europeus ou americanos, que precisam de preços atrativos para conseguirem financiar os seus projetos.

O acordo pode ser assinado nos próximos três meses, com o nome de ‘Roteiro para uma parceria estratégica’, revela a “Bloomberg” esta terça-feira.

A ideia tem méritos, mas não basta encontrar mais minerais críticos para explorar. É que a capacidade industrial chinesa para processar os minerais não tem comparação. Um caminho feito ao longo de décadas.

O memorando citado pela agência noticiosa destaca que os EUA e UE devem explorar projetos em conjunto e mecanismos de apoio aos preços.

Também recomenda blindar os mercados do excesso de oferta de minerais externos à parceria e outras formas de manipulação do mercado.

A proposta também defende que ambos os lados devem ter uma cadeia de abastecimento em comum.

No entanto, a proposta da União Europeia insiste que ambos os lados devem respeitar a sua integridade territorial, isto é, Bruxelas quer manter os EUA fora da Gronelândia que pertence à Dinamarca.

Os EUA estão a convidar dezenas de ministros de governos de todo o mundo para fechar um acordo global na quarta-feira para combater o domínio chinês nos minerais críticos.

E há outra questão: o preço. Como ficam os preços dos produtos finais, se os produtores de baterias, por exemplo, tiverem de optar por minerais europeus/americanos em detrimento de minerais chineses mais baratos?

A procura por minerais críticos deverá disparar quase 1.000% até 2050. Já 80% da cadeia de abastecimento de terras raras é controlado pela China. O investimento global em energias renováveis e baterias ultrapassa o investimento em combustíveis fósseis em quase 100% anualmente.

A Comissão Europeia considera que as conversações são “vitais para diversificar o nosso abastecimento de um único país”.

Washington considera que o tema é prioritário depois de Pequim ter imposto restrições à exportação de minerais críticos em 2025.

A intenção não é propriamente nova. Em dezembro de 2020, já na reta final do primeiro mandato de Trump, um enviado do Governo norte-americano esteve em Lisboa a defender que os investidores norte-americanos deviam apostar no lítio português.

Na altura, Francis Fannon estava a promover a Iniciativa de Governança de Recursos Energéticos (ERGI, na sigla em inglês) que juntava vários países produtores – EUA, Canadá, Austrália, Botswana e Peru -, mas a iniciativa borregou.

Já em outubro de 2024, o vice-secretário para o Crescimento, Energia e Ambiente do ministério dos Negócios Estrangeiros dos EUA veio a Lisboa defender uma “resposta internacional à República Popular da China”, disse na altura Jose Fernandez.

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