A Bondalti reagiu com indignação ao comunicado realizado ontem pela Ercros sobre a OPA dizendo que “contém omissões e incorreções graves”.
Num comunicado enviado esta manhã a Bondalti lança fortes críticas aos argumentos da sociedade visada na OPA, dizendo que a empresa espanhola “emite um grave juízo de valor ao insinuar que a Ercros ficaria diluída e perderia a sua relevância num conglomerado muito maior cujo negócio principal não é o químico, quando tal não corresponde à realidade pois a indústria química tem sido o negócio fundador do Grupo José de Mello desde a sua criação em 1898. Hoje, a Bondalti é um dos líderes europeus em vendas de anilina e o maior produtor ibérico de cloro”.
A Bondalti acusa a empresa de que omitir no comunicado a conclusão do perito financeiro independente Evercore, contratado pela própria Ercros, segundo a qual o preço oferecido de 3,505 euros é justo.
A empresa portuguesa do grupo José de Mello diz ainda que o comunicado da Ercros ignora a falta de unanimidade na opinião dos administradores, não refletindo a opinião favorável à OPA da administradora Lourdes Vega Fernández, nem a vontade do administrador Eduardo Sánchez Morrondo.
O comunicado também não faz qualquer referência ao relatório favorável à OPA emitido pelas Secções Sindicais Maioritárias da CCOO e da UGT na Ercros, aponta a Bondalti.
Sobre a referência à dívida da Ercros, a Bondalti diz que o comunicado “omite que uma parte significativa dos bancos que financiam a OPA são também financiadores atuais da Ercros, conhecendo assim perfeitamente o seu balanço”.
Já sobre a política de dividendos, “o comunicado não refere que a Ercros atualmente já não distribui dividendos e que a sua política atual de dividendos exige condições financeiras que a empresa está longe de cumprir neste momento”.
“Relativamente aos compromissos assumidos pela Bondalti, o comunicado da Ercros omite que a imposição de vender hipoclorito de sódio ao preço de custo durante um período máximo de 15 anos está limitada a 85 mil toneladas”, diz a empresa portuguesa.
Assim, conclui, “os compromissos assumidos são delimitados e o seu impacto económico foi quantificado, tal como se indica no Prospeto da Oferta”.
A Bondalti, no entanto, “valoriza positivamente, o relatório do Conselho de Administração da Ercros” no que se refere ao facto de o relatório independente da Evercore, contratada pela própria Ercros, considerar o preço da Oferta “justo”
Bem como o facto de os sindicatos, principais representantes dos trabalhadores da Ercros, apoiarem a OPA por considerarem que “pode contribuir para reforçar a estabilidade, a viabilidade industrial e o futuro dos trabalhadores num contexto complexo, tanto para a Ercros como para a indústria química europeia”.
“O relatório emitido ontem pelo Conselho de Administração da Ercros não reúne a unanimidade de todos os administradores” atira a Bondalti.
Ontem o conselho de administração da Ercros decidiu emitir uma posição “desfavorável” à oferta pública de aquisição (OPA) da Bondalti, que avalia a empresa em 320 milhões de euros, considerando que os 3,505 euros oferecidos pela empresa portuguesa “não refletem plenamente o potencial de criação de valor futuro da Ercros”.
A administração entende que a Ercros tem capacidade para operar de forma independente e competitiva no setor químico europeu.
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