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Festival Mental: uma década a falar do que nos incomoda

Cinema, música, dança, literatura teatro… E conversas, muitas, pois no Mental o estigma não entra. Aqui se desmontam preconceitos sobre a saúde mental e se quebram barreiras. Uma década feita de persistência e reconhecimento. Internacional também. Em maio está de volta a Lisboa.
25 Fevereiro 2026, 15h04

E 2026 assinala-se uma década de “um projeto cultural singular, dedicado à promoção, prevenção e combate ao estigma em saúde mental através da plataforma da cultura”. Mais do que palavras, é um facto. Dez anos a falar em assuntos que incomodam, com uma postura clara: no Festival Mental, o estigma não entra.

A 10ª edição do Mental realiza-se entre 14 e 17 de maio, no Cinema São Jorge e outros locais a anunciar, mas pretende ser mais do que um marco no calendário. “Estes dez anos representam um percurso de aprendizagem mútua e afirmam a extrema relevância pública do festival no nosso quotidiano”, frisa a organização em comunicado. Uma edição especial que, sublinham, se assume “como um radar sobre o trajeto percorrido, reunindo vozes e textos de convidados que passaram pelo festival e que ajudam a construir uma leitura crítica e afetiva deste percurso.”

Celebrar, sim, mas também revisitar “o caminho feito e o impacto consolidado no panorama da saúde mental em Portugal, fazendo simultaneamente um balanço crítico sobre as mudanças ocorridas no setor ao longo destes dez anos”. Os objetivos estão traçados e os eixos centrais mantêm-se. O cinema é um deles, a par das artes, da literatura, da dança, do teatro e da música, com destaque para o segmento muito particular “My Story, My Song”, onde experiências de vida ganham expressão artística através da música.

As M-Talks do Mental são outro eixo do festival e, nesta edição, vários temas serão revisitados pelos próprios protagonistas, numa reflexão sobre o que mudou (ou não) nos temas abordados. Objetivo? Fazer um ponto da situação para abrir novas perspetivas, sobretudo no âmbito da promoção e prevenção de estigmas em torno da saúde mental.

A 10ª edição tem ainda outra ambição: reforçar a sua dimensão intergeracional com as vertentes M-Sénior e M-Jovem. Ambas contam com programação específica, incluindo workshops, atividades participativas e a Mostra Internacional de Curtas-Metragens, com o intuito de promover “o diálogo, a literacia e a expressão artística em diferentes fases da vida”, realça a organização.

As novas ideias e abordagens emergentes têm regresso marcado no segmento M-Click, iniciado em 2025. Aqui pretende-se dar espaço a projetos inovadores, novos criadores e propostas experimentais, para assim reforçar “o compromisso do Festival Mental com o futuro e com as novas linguagens na área da saúde mental”.

O poder transformador da arte é amiúde invocado. O Mental põe em prática esse ‘poder’, criando um espaço seguro “onde a iliteracia dá lugar à compreensão e à empatia, utilizando a expressão artística como ponte para o diálogo e para a quebra de preconceitos.”

 


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