Pelo menos dois fornecedores de empresas aeroespaciais e de semicondutores dos Estados Unidos enfrentam uma crescente escassez de terras raras e estão a recusar pedidos de alguns clientes. A escassez concentra-se em terras raras como o ítrio e o escândio, membros da família de 17 elementos que desempenham pequenos papéis, mas vitais, em tecnologias ligadas à defesa, setor aeroespacial e da produção de semicondutores, e são produzidos quase inteiramente na China.
Embora Pequim tenha permitido a retoma de muitas exportações de terras raras desde que impôs restrições em abril, os dados das alfândegas chinesas mostram que os carregamentos desses materiais raramente chegam aos Estados Unidos, apesar da reaproximação com Washington em outubro, refere uma reportagem da agência Reuters.
A redução das tensões comerciais, baseada em parte na suspensão, por parte da China, das restrições à exportação de minerais críticos, estará em discussão quando os presidentes Donald Trump e Xi Jinping se encontrarem em Pequim, em março. Até lá, não é provável que o mercado venha a sentir grandes melhorias.
Um dos principais problemas é o ítrio, usado em revestimentos que impedem os motores e turbinas de atingirem temperaturas demasiado altas. Desde que a oferta do produto diminuiu que os seus preços subiram 60%. Duas empresas norte-americanas que compram ítrio para fabricar revestimentos disseram à Reuters que precisaram de interromper temporariamente a produção devido à escassez. Uma delas também está a recusar pedidos de clientes menores e estrangeiros para conservar o fornecimento para clientes maiores, onde se incluem alguns fabricantes de motores.
Embora a escassez de ítrio e escândio ainda não tenha afetado a produção de motores a jato ou chips, um funcionário do governo dos EUA disse à Reuters que alguns fabricantes norte-americanos enfrentam “escassez” de certas terras raras provenientes da China.
A China exportou 17 toneladas de produtos de ítrio para os Estados Unidos nos oito meses seguintes à introdução dos controlos de exportação em abril passado, em comparação com 333 toneladas nos oito meses anteriores.
Além do ítrio, os fabricantes norte-americanos de semicondutores estão com stocks baixos de escândio, o que coloca em risco a produção de chips 5G de última geração. Com uma produção global de apenas algumas dezenas de toneladas por ano, o escândio desempenha um papel importante em células de combustível, ligas especiais de alumínio para o setor aeroespacial e no processamento e embalagem avançados de chips.
Os principais fabricantes de semicondutores dos Estados Unidos dependem do escândio para a fabricação de componentes de chips que estão presentes em praticamente todos os smartphones e estações-base 5G e estão a enfrentar atrasos no recebimento de novas licenças de exportação da China.
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