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Ministros das Relações Exteriores da UE recusam apoiar mudança de regime no Irão

Em comunicado conjunto, os ministros alertaram para consequências económicas imprevisíveis e pediram que o Estreito de Ormuz permaneça aberto. Mas não alinharam com Estados Unidos e Israel na pressão para uma mudança de regime.
2 Março 2026, 10h20

Ao cabo de uma demorada reunião por videoconferência, os ministros das Relações Exteriores da União Europeia afirmaram estar a tomar todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos cidadãos do bloco que permanecem no Médio Oriente e alertaram para o perigo que constitui a escalada da tensão regional. A Alta Representante Kaja Kallas divulgou uma declaração conjunta após um encontro de três horas.

Um número desconhecido de cidadãos europeus está retido no Irão e noutros países da região, num contexto em que Israel e os Estados Unidos iniciarem bombardeamentos contra o Irão no sábado, seguidos da retaliação do regime de Teerão – que perdeu o seu líder máximo, Ali Khamenei. O Irão lançou contra-ataques atingindo vários alvos no Médio Oriente, o que causou o caos na aviação, com milhares de voos cancelados em importantes centros, como Dubai e Abu Dhabi, e a retenção de muitos passageiros, que não puderam regressar aos seus destinos.

“A União Europeia e os seus Estados-membros estão a tomar todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos cidadãos da União na região, incluindo a ativação do Mecanismo de Proteção Civil, se necessário”, afirmava a declaração conjunta. Este mecanismo é uma ferramenta para insistir na cooperação entre as nações europeias na prevenção de desastres e na resposta a crises.

Os ministros alertaram para que os acontecimentos no Irão não devem levar a uma escalada, que teria consequências económicas imprevisíveis, e pedira, que se evitem interrupções no Estreito de Ormuz, um importante corredor para o petróleo transportado por via marítima – cujos preços estão esta manhã está a disparar para níveis próximos dos 10%.

A declaração conjunta não subscreve as aspirações dos Estados Unidos e de Israel por uma mudança de regime no Irão. “A UE reitera a sua solidariedade com o povo iraniano e apoia firmemente as suas aspirações fundamentais por um futuro em que os seus direitos humanos universais e liberdades fundamentais sejam plenamente respeitados”, afirma o comunicado.

No domingo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu uma mudança de regime no Irão numa publicação nas redes sociais. “Uma transição crível no Irão é urgentemente necessária”, disse, dando mostras de que não tem a mesma opinião que aquela que consta da declaração conjunta. O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que o seu governo partilha do “alívio” de muitos iranianos com a possibilidade do fim do “regime dos aiatolas”. Reconheceu a ambiguidade jurídica dos ataques dos EUA-Israel, mas argumentou que “não faz sentido dar lições aos aliados” quando se enfrenta um “regime terrorista” que põe em risco a segurança global.

Do outro lado, Espanha e Eslovénia defenderam a desaceleração da tensão. “A guerra e a violência não podem ser normalizadas como formas de resolver conflitos. A Espanha apela ao respeito pelo direito internacional”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, nas redes sociais. A ministra das Relações Exteriores da Eslovénia, Tanja Fajon, também pediu calma e moderação. “O uso da força põe em risco a vida de pessoas inocentes e tem sérias consequências para a paz e a segurança”, disse.

Recorde-se que a  presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, convocou uma reunião do Colégio de Segurança para esta segunda-feira.


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