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Preferência por voto online e falta de identificação com candidatos explicam abstenção dos jovens

Segundo estudo do IPAM, divulgado esta quinta-feira, o principal motivo apontado pelos jovens que não votaram é a preferência por formas alternativas: 60,2% afirmam que votariam mais se pudessem votar online. No geral, os resultados demonstram que a abstenção resulta sobretudo de fatores estruturais relacionados com o envolvimento político, a representação e a confiança institucional.
12 Março 2026, 09h51

A preferência pelo voto online e a falta de identificação com os candidatos explicam a abstenção, com 60,2% dos jovens a afirmar que votariam mais se pudessem votar online, segundo um estudo do IPAM, divulgado esta quinta-feira, 12.

Este dado é reforçado pela preferência pelo voto eletrónico remoto entre abstencionistas: 57% indicam este modelo, enquanto apenas 6,5% manifestam preferência pelo voto presencial tradicional.

O estudo “Participação eleitoral e abstenção entre os jovens em Portugal” tem coordenação científica de Catarina Domingos e Isabel Machado e foi realizado entre 10 e 25 de fevereiro de 2026, junto de 694 jovens, entre os 18 e os 24 anos.

A falta de identificação com os candidatos é outro fator central da abstenção e nesta matéria 54,8% dos abstencionistas afirmam não se identificar com nenhum dos candidatos às recentes eleições para Presidente da República.

Quase metade (48,4%) refere ter tido outras prioridades, como trabalho ou estudos para não ir às urnas, o que indica que o exercício do dever cívico de votar não é central para eles. Uma fatia significativa (44,1%) afirmam não votar por não confiarem nos partidos e nos políticos, e 43,0% consideram que os políticos não se preocupam com os problemas dos jovens. 

Apenas 16,1% referem dificuldades práticas, como transporte ou horários, como motivo para não votar, confirmando que a abstenção jovem não resulta maioritariamente de obstáculos operacionais.

A maioria (86,6%) dos inquiridos revelou ter votado nas recentes eleições Presidenciais, contra 13,4% que se abstiveram. Num plano mais geral, os resultados mostram que a participação eleitoral está fortemente associada a questões estruturais como o interesse dos jovens pela política, a confiança nas instituições e a perceção da relevância da política para a vida quotidiana.

No grupo dos jovens que exerceram o dever cívico nas últimas eleições Presidenciais, 68,2% revelam interesse pela política, contra apenas 36,6% dos abstencionistas. Em contrapartida, 35,5% dos abstencionistas afirmam não se interessar por política, comparativamente a 10,5% dos votantes.

Também o parâmetro da confiança institucional apresenta diferenças significativas com 31,8% dos votantes a dizer que confia nas instituições políticas, face a apenas 10,8% dos abstencionistas. Por outro lado, 48,4% dos jovens que não votaram expressam desconfiança, comparativamente a 25,5% entre os que participaram eleitoralmente.

A perceção de relevância da política surge é o terceiro fator a ter em conta na decisão dos jovens. Enquanto 72,7% dos votantes consideram que a política aborda temas importantes para a sua vida, essa perceção é partilhada por apenas 44,1% dos abstencionistas.

Já o sentimento de que os jovens não são levados a sério na política é transversal a ambos os grupos. Apenas 13,1% dos votantes e 16,1% dos abstencionistas consideram que os jovens são efetivamente ouvidos, sendo que cerca de metade dos jovens, independentemente de terem votado ou não, expressa discordância quanto à sua representação política.


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