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Fundo de crédito do Carlyle Group teve pedidos de levantamentos que atingem os 15%

Em causa está o principal fundo de crédito privado do Carlyle Group, o Carlyle Tactical Private Credit Fund (CTAC), que possui mais 5,9 mil milhões de euros em ativos sob gestão. O limite máximo de retirada de capital para este tipo de fundos, por norma, é de 5%, por trimestre.
13 Abril 2026, 10h29

Os fundos de crédito privado continuam sob forte pressão.

Desta vez foi a vez do Carlyle Group reportar pedidos de levantamento, por parte dos seus investidores, que atingem mais de 15,7%, no seu principal fundo de crédito privado o Carlyle Tactical Private Credit Fund (CTAC), que possui mais de sete mil milhões de dólares (5,9 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual) em ativos sob gestão, como reportou a empresa num carta enviada aos investidores na quinta-feira, e transcrita pela agência noticiosa Reuters. O limite máximo de retirada de capital para este tipo de fundos, por norma, é de 5%, por trimestre.

Na carta transcrita pela agência noticiosa o Carlyle Group refere que a “recente volatilidade do mercado levou a um aumento da atividade de recompra nos fundos de crédito privado”.

Um porta-voz da Carlyle referiu, em declarações transcrita pela agência noticiosa, que o CTAC possui 950 posições e nenhum crédito individual representa mais de 1,5% da carteira. Já os ativos sob gestão aumentaram 15% face ao período homólogo. Os empréstimos diretos representavam cerca de 40% do portefólio, a 30 de janeiro, com o setor do software a ter um peso de 12%. A gestora disse ainda que não existiram incumprimentos nos seus empréstimos a empresas de software nos últimos cinco anos.

Pedidos de resgate atingiram os 17 mil milhões de euros

Os pedidos de resgaste de fundos de crédito privado atingiram os 20,8 mil milhões de dólares (17,7 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual), no primeiro trimestre, como avançou o Financial Times.

Estes fundos de crédito têm estado pressionados devido às preocupações em torno do setor de software. Os investidores temem que esta área possa sofrer disrupção por parte da inteligência artificial (IA) e com isso estas empresas tenham maiores dificuldades em pagar os créditos contraídos junto das gestoras de fundos de crédito privado que investem nestas mesmas organizações.

As empresas que possuem este tipo de fundo têm sofrido fortes desvalorizações em bolsa desde o início do ano. A Apollo já caiu 28,8%, a Ares Management (-39,6%), a Blackstone (-27,6%), Blue Owl (-46,2%), KKR (29,3%), Carlyle Group (-22,3%).

Pedidos de resgate acima do limite máximo são transversais ao setor

Várias gestoras de fundos para além do Carlyle Group enfrentaram pedidos de levantamento por parte dos investidores além do máximo estabelecido, levando a que em alguns casos tivessem que restringir os levantamentos ao máximo dos 5%, por trimestre. Aqui encontram-se por exemplo a Apollo, a Ares, a Blackstone, Blue Owl, BlackRock

A Ares Management confirmou que iria limitar a 5% os pedidos de resgate no seu fundo de crédito (Ares Strategic Income Fund), que está avaliado em 22,7 mil milhões de dólares (19,5 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual) quando recebeu pedidos que atingiam os 11,6%, no trimestre.

A Apollo limitou também a 5% os pedidos de resgate do fundo de crédito Apollo Debt Solutions, avaliado em 25 mil milhões de dólares (21,5 mil milhões de euros), quando recebeu pedidos de levantamento, no trimestre, de 11,2%.

O principal fundo de crédito da Blackstone (BCRED) após ter tido tido pedidos de levantamento de 3,7 mil milhões de dólares (3,1 mil milhões de euros) levantou o limite de resgate de fundos de 5% para 7%. O BCRED está avaliado em 82 mil milhões de dólares (70,7 mil milhões de euros).

A Blue Owl anunciou, em fevereiro, que iria vender 1,4 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros) em ativos de três dos seus fundos de crédito de modo a poder devolver dinheiro aos investidores e também para amortizar dívida.

E a BlackRock limitou a 5% o limite de resgaste de um dos seus fundos de crédito (HPS Corporate Lending Fund), após pedidos de resgate avaliados em 1,2 mil milhões de dólares (mil milhões de euros), no primeiro trimestre, o equivalente a 9,3% do total do fundo.


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