Emmanuel Macron receberá o presidente russo, Vladimir Putin, em Fort Brégançon, em 19 de agosto, quatro dias antes da abertura da cimeira do G7 em Biarritz, reunindo os chefes de Estado ou de governo das principais potências económicas do mundo.
Receber o líder russo em Brégançon é insistir no caráter pessoal que Macron quer dar ao relacionamento com o homem forte do Kremlin, que não estará em Biarritz – a cimeira é aberta aos Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Japão, Itália e Canadá: a Rússia foi excluída em 2014 após a anexação da Crimeia. A visita parece indicar, segundo os observadores, a vontade de Paris em fazer a Rússia regressar.
O presidente francês disse que queria “explorar todas as formas de cooperação em questões importantes de desestabilização ou conflito”, sem ingenuidade, mas de porta aberta. Desde logo porque sendo diplomacia francesa mediadora na crise nuclear iraniana, é essencial que haja um relacionamento com Moscovo.
Mas as ambições do presidente no relacionamento com a Rússia vão além disso. “Queremos sair do efeito de alinhamento e marcar uma lacuna. Esta é a vocação da diplomacia francesa, daí as iniciativas que tomamos como na crise iraniana”, diz uma fonte do Eliseu citada pelo jornal ‘Le Monde’, não hesitando em falar de “um certo regresso gaullista”, mesmo que o contexto seja muito diferente.
Os sinais de um aquecimento das relações franco-russas foram numerosos nos últimos dois meses. O primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, visitou Le Havre em 24 de junho, onde conheceu Edouard Philippe, o primeiro-ministro francês. Esta foi a primeira visita de um alto funcionário russo desde que Vladimir Putin foi a Versailles em maio de 2017 .
A França também apoiou a reintegração russa do Conselho da Europa, que foi saudado pela imprensa do regime como uma “vitória” para Moscovo. Em entrevista à RTS (Swiss Radio-Television), em 11 de junho, Emmanuel Macron disse que queria “voltar a engajar uma dinâmica” com a Rússia e retomar “um diálogo estratégico” com aquele país.
Admitiu, no entanto, que a Rússia ainda tinha “algum trabalho a fazer”, desde logo com a Ucrânia e a implementação dos Acordos de Minsk, patrocinados por Paris e Berlim em fevereiro de 2015, estabelecendo o cessar-fogo entre Kiev e os rebeldes.
Na sua primeira reunião em Versalhes, o na altura recém-eleito presidente francês criticou abertamente as violações dos direitos humanos e as tentativas de desestabilização das relações entre as duas nações.
Em junho, em Osaka, por ocasião da cimeira do G20, Emmanuel Macron proclamou veementemente o seu apoio aos “valores liberais” questionados por seu homólogo russo. O presidente francês, no entanto, encarna a Europa, enfraquecida por uma Angela Merkel em fim do mandato, de outra forma. “Em Paris, como em Moscovo, há uma consciência de que não podemos ficar assim, e que devemos fazer alguma coisa”, observa um diplomata citado pelo mesmo jornal, recordando “o risco da instrumentalização do Kremlin”.
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