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Produtores alertam para racionamento de alimentos ao terceiro dia de greve

Indústria agro-alimentar admite o racionamento de pão, produtos lácteos, comida para bebés, massas, arroz e conservas, devido à greve dos motoristas. E aconselha a ter em casa alimentos não perecíveis.
2 Agosto 2019, 12h07

A Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA) alerta os portugueses para o risco de racionamento de alguns bens alimentares essenciais. E aconselha a armazenagem em casa de produtos não perecíveis como leite, pão, massas, arroz e conservas, antes da greve convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), que começa em 12 de agosto, por tempo indeterminado. Uma paralisação que ameaça o abastecimento não só de combustíveis, mas também de outras mercadorias.

“O racionamento de bens alimentares é uma possibilidade. Logo no primeiro dia de greve há constrangimentos na actividade da indústria e na entrega de produtos e a partir do terceiro dia de greve começa a sentir-se dificuldade no abastecimento de bens essenciais”, revelou ao Jornal Económico Pedro Queiroz, director geral da FIPA. Este responsável salienta que “o racionamento é um risco que está em cima da mesa, a partir do terceiro dia de greve, e pode ser sentido em bens que, por norma, integram o cabaz prioritário como pão, lácteos, alimentação para bebés, massas, arroz e conservas”.

Segundo Pedro Queiroz, a experiência da FIPA, nomeadamente na greve de 2008 das transportadoras de mercadorias, “dois a três dias é a margem de segurança” para garantir o normal funcionamento e abastecimento nos produtos alimentares e de bebidas aos distribuidores.

O dirigente da FIPA aconselha, por isso, os portugueses: “desde já façam alguma armazenagem de produtos não perecíveis como leite, pão, massas arroz e conservas”, realçando que “no caso de haver alguma escassez evitam de ir a correr ao mesmo tempo aos supermercados, podendo fazê-lo uma semana antes da greve” marcada para 12 de agosto.
Segundo este responsável, a manter-se a greve, as empresas do sector “procurarão abastecer os canais de distribuição antecipadamente, mas tal depende muito da capacidade de armazenagem das lojas”.

Esta semana, a FIPA tinha já admitido que “caso a greve avance, é provável que num curto espaço de tempo se registem roturas na cadeia de abastecimento alimentar, seja nas entregas dos produtos alimentares e bebidas aos distribuidores seja na receção das matérias-primas agrícolas e agropecuárias”.

Pedro Queiroz acrescenta agora que “o risco de racionamento prende-se com os produtos que as pessoas procuram com mais intensidade e poderá esgotar mais rapidamente”. E salienta que as duas preocupações da FIPA face à greve dos motoristas são “escoar os produtos que produzimos e recebermos as matérias primas que necessitamos para produzir”.
O diretor geral da FIPA recorda ainda que os seus associados manifestaram já “a preocupação em torno da possível perda de enormes volumes de matéria-prima já contratada nas explorações, como é o caso do leite (com prazos muito limitados da recolha e tratamento) e dos hortofrutícolas, bem como da falta de alimentação para os animais nas explorações pecuárias”. E conclui: “não passa pela cabeça de ninguém que a greve demore muito tempo, o que traria ao país uma situação caótica”.

Alerta para serviços mínimos
Esta Federação das Indústrias alertou já o Governo para a necessidade de priorizar os “serviços mínimos para este setor”, tendo em conta o “normal abastecimento de matérias-primas e de produtos alimentares”.

Um alerta, diz agora Pedro Queiroz, que o primeiro-ministro e o ministro da Economia tomaram em boa nota. “O governo está ciente das preocupações da indústria agro alimentar e já garantiu que o tema será integrado nos trabalhos que estão a ser desenvolvidos”, afirmou o diretor geral da FIPA, acrescentando que as medidas não foram ainda concretizadas no plano de contingência do Executivo e que, por isso, espero que sejam anunciadas na próxima semana para que as próprias empresas possam colaborar com o governo para as coisas correrem bem”.

No cenário mais gravoso, a FIPA admite ainda “uma paralisação generalizada do abastecimento de bens alimentares, tais como farinha para panificação, ou das descargas de barcos para as refinarias e para as moagens, com congestionamento dos portos”.

Pedro Queiroz frisa, porém, que face à proximidade das eleições legislativas, “o Governo é o primeiro interessado que não haja grandes perturbações”, pelo que “tem bem presente a relevância da indústria agro alimentar”.

O SIMM já veio dizer que as consequências desta greve serão mais graves do que as sentidas em abril, já que, além dos combustíveis, vai afetar o abastecimento às grandes superfícies, à indústria e aos serviços, podendo “faltar alimentos e outros bens nos supermercados”.

O ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, considerou também que “todos” devem estar preparados para os “transtornos” da greve dos motoristas de mercadorias. E o responsável pela tutela das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, defendeu recentemente que os portugueses devem começar a “abastecer” as suas viaturas para “se precaverem” no caso de haver greve.

Motoristas pedem nova reunião com Governo
O vice-presidente do SNMMP revelou, nesta quarta-feira, 31 de julho, que pediu “uma nova reunião ao ministério das Infraestruturas para tentar um acordo e assim evitar a greve” dos motoristas. Segundo Pedro Pardal Henriques, o encontro, que terá sido “informalmente aceite”, deverá realizar-se na próximo dia 05 de agosto.

Os representantes dos motoristas pretendem um acordo para aumentos graduais no salário-base até 2022: 700 euros em janeiro de 2020, 800 euros em janeiro de 2021 e 900 euros em janeiro de 2022, o que com os prémios suplementares que estão indexados ao salário-base, daria 1.400 euros em janeiro de 2020, 1.550 euros em janeiro de 2021 e 1.715 euros em janeiro de 2022. Os sindicatos pretendem ainda “a abolição imediata de ajudas de custo”, já que esta rubrica salarial, acusam, “tem vindo a ser utilizado ilicitamente com vista ao pagamento de trabalho suplementar de forma a fugir às obrigações fiscais e tributárias, que se traduz numa fraude de milhões de euros”.

O Governo terá de fixar os serviços mínimos para a greve, depois das propostas dos sindicatos e dos patrões terem divergido entre os 25% e os 70%, bem como sobre se incluem trabalho suplementar e operações de cargas e descargas.

 


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