Habituado à sua mansão de três mil metros quadrados (no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio) e onde tinha um Lamborghini a decorar a sala de estar, o antigo milionário Eike Batista nunca teve as mesmas mordomias de outros acusados na Operação Lava Jato. Os hotéis de luxo, os iates e os aviões particulares foram substituídos por uma cela minúscula e um chuveiro com água fria. Em 2014, a revista Forbes destacou-o como um dos ex-multimilionários que sofreram perdas mais expressivas nas suas fortunas.
Eike Batista viu as suas empresas falirem e os activos serem absorvidos por companhias estrangeiras – ele que um dia chegou a dizer ao mexicano Carlos Slim para estar atento, porque estava perto de tomar a sua posição como a pessoa mais rica do mundo.
Batista perdeu o estatuto de multimilionário na sequência do colapso do grupo EBX — um conglomerado de empresas mineiras, de electricidade, de construção naval e de logística que faliu em 2013. Em pouco mais de um ano, Batista tornou-se famoso por ter perdido 35 mil milhões de dólares em apenas um ano.
Eike Fuhrken Batista da Silva é um dos sete filhos de uma alemã e de um brasileiro que foi ministro das Minas e Energia, nos anos 60. Nasceu no Brasil, mas passou a adolescência na Europa, por causa da carreira do pai. Aos 18 anos voltou para o Brasil e começou a vender seguros. No início da década de 80, dedicou-se ao comércio de ouro e diamantes e pouco depois já tinha a sua própria empresa.
Em 2018, o empresário brasileiro foi condenado a 30 anos de prisão por corrupção activa e lavagem de dinheiro. A condenação surgiu no âmbito da Operação Eficiência, um desdobramento da Operação Lava Jato. No passado fim-de-semana, ocorreu uma nova reviravolta na vida do ex-magnata, que já foi considerado o oitavo homem mais rico do planeta. A juíza Simone Schreiber, magistrada do Tribunal de Apelações TRF2, considerou que a detenção daquele que já foi considerado o homem mais rico do Brasil na sequência de um mandado emitido a pedido do Ministério Público Federal “violava a constituição e o princípio da presunção de inocência”.
A ação que levou à detenção do empresário, denominada Segredo de Midas, teve como objetivo encontrar provas relacionadas com manipulação de mercado de capitais e lavagem de dinheiro e ocorreu após a recém-homologada delação premiada do banqueiro Eduardo Plass. Eike já tinha sido detido em janeiro de 2017, por alegada corrupção ativa e lavagem de dinheiro, tendo sido libertado quatro meses depois. O empresário foi condenado a 30 anos de prisão, mas continuava em liberdade. A operação Lava Jato é a maior operação de combate à corrupção no Brasil, nomeadamente de esquemas que envolvem empresas públicas, como a petrolífera Petrobras.
O divórcio de milhões com Luma
Eike e Luma conheceram-se em 1990 e o empresário abandonou a então mulher para ficar com a modelo, com quem casou logo em seguida. Têm dois filhos. A relação acabaria por terminar em 2004, após Luma posar para um calendário de bombeiros e ter seu nome envolvido em uma suposta traição ao marido. Estima-se que, com o divórcio, Luma levou para casa 20 milhões de dólares.
O império de Eike, de 62 anos, começou a ruir lentamente. No entanto, a atual namorada, Flavia Sampaio está confiante na recuperação financeira de Eike. “Ele vai dar a volta por cima. Ele conquista porque é brilhante, inteligente e extraordinário”, disse à imprensa brasileira.
Em janeiro de 2018, em dois posts no Twitter, o empresário pediu aos 1,2 milhões de seguidores para ficarem ligados nos seus novos canais no YouTube e Instagram. “Estou de volta! Fiquem ligados em meu novo canal no Youtube e no Instagram, onde estarei contando um pouco da minha trajetória. Poucos sabem, mas são mais de 36 anos de dedicação ao Brasil”, escreveu.
“Nestes canais falarei sobre projetos únicos e estruturantes que revolucionaram nosso querido Brasil nas áreas de superportos, mineração e geração de energia em larga escala, assim como trabalhos na área social melhorando a vida de muitos brasileiros”, acrescentou. Com 66 mil seguidores no Instagram, 147 mil subscritores no canal Youtube e 1,2 milhões de seguidores no Twitter, Eike intitula-se um empreendedor pelo Brasil: dá palestras de vídeo sobre como vender uma ideia, a importância da persistência e da disciplina e escreve sobre política ou família.
“A dificuldade é que as pessoas entendam que minha relação com o dinheiro é muito diferente. Não me importei de quebrar o meu império”, disse Eike, citado pela agência Bloomberg. Aliás, um dos segredos do antigo multimilionário para continuar a acreditar que vai dar a volta por cima nos negócio é só um: não olhar para o passado e só pensar no futuro.
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