A Amazónia começou a arder há três semanas e a discussão sobre a desflorestação no ‘pulmão do mundo’ aumentou. A situação esteve em destaque na reunião do G7 em Biarritz, sendo que os países envolvidos doaram 20 milhões de dólares (17,95 milhões de euros).
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, anunciou primeiramente que não iria aceitar o financiamento. Depois, mudou de ideias e esclareceu que só aceitaria o dinheiro caso Emmanuel Macron lhe pedisse desculpa publicamente. Agora, o presidente brasileiro afirmou que o dinheiro oferecido pelo G7 é uma “esmola” e que “o Brasil vale muito mais que 20 milhões de dólares”.
“Tivemos um encontro na terça-feira com os governadores da região amazónica. E ali, só um falou em dinheiro, aquela esmola oferecida pelo Macron”, afirmou o presidente brasileiro. “O Brasil vale muito mais do que 20 milhões de dólares, por amor de Deus”, afirmou Bolsonaro, numa transmissão na sua página do Facebook.
Bolsonaro atacou ainda o grupo das sete nações mais industrializadas a nível mundial.”Alguns países europeus estavam comprando o Brasil a prestação. Já gastaram mais de mil milhões de dólares para cá. Aí eu te pergunto, o que fizeram com esse dinheiro? Me aponte um hectare replantado, uma ação positiva. Nada”, sustentou Bolsonaro.
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Jair Bolsonaro garantiu ainda que as organizações não-governamentais (ONG) ficaram com o dinheiro que foi entregue por vários fundos. “O problema não é desflorestar, o problema é desmamar esse pessoal [ONG]”, acrescentou o chefe de Estado, que já tinha afirmado que estes eram os principais suspeitos dos incêndios.
Durante a sua campanha eleitoral, Bolsonaro já tinha revelado ser apoiante da desflorestação para a exploração da agricultura e da pecuária. No vídeo publicado no Facebook, o presidente brasileiro abordou a definição das terras indígenas. “Hoje em dia, 14% do território brasileiro já está demarcado como terra indígena, mas se eu demarcar todas essas áreas que estão a pedir, esse valor passa para 20%. Simplesmente a agricultura, pecuária, ficariam inviabilizadas no Brasil”, argumentou Jair Bolsonaro.
O ministro brasileiro do Gabinete de Segurança Institucional, que acompanhou Bolsonaro na transmissão, declarou que as demarcações indígenas já existentes devem ser todas revistas, uma vez que existem denúncias de “demarcações fraudulentas”, que foram “aumentadas na sua extensão para alguém lucrar com isso”.
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