O futuro da função financeira ‘encheu’ o Palácio Sotto Mayor, em Lisboa, a sede da PwC Portugal na capital. A tecnologia está a entrar de rompante nesta profissão que garante a estabilidade das companhias e está a causar alterações profundas no dia a dia dos controllers, tesoureiros, contabilistas e até mesmo dos Chief Financial Officer (CFO), que têm de se adaptar rapidamente a novas formas de trabalhar que se estão a alterar a um ritmo acelerado.
Nas palavras de António Brochado Correia, territory advisor da PwC Portugal, Angola e Cabo Verde, “a digitalização das empresas implica que estas estejam preparadas para lidar com a mudança e implementem novas tecnologias, muitas vezes disruptivas, nos seus negócios”.
Exemplo disto é uma nova forma de fazer reporting. Lançado no mercado nacional pela PwC Portugal, o Reporting 5.0 alia a tecnologia, algoritmos, recolha de dados e soluções em cloud de uma que retirar tempo e aumenta a eficiência de todos aqueles que, direta ou indiretamente, desempenham funções de reporte.
Atualmente, para preparar um relatório e contas são necessários, em média, sete dias úteis. E, muitas das vezes, a informação a que cada um atribuiu mais importância pode perder-se – ou ser de difícil identificação – nas várias páginas que compõem um relatório desta natureza.
Com o Reporting 5.0, o CFO ou o controller que estiver a analisar determinado relatório estará a fazê-lo utilizando uns óculos especiais – semelhantes ao ‘Google Glass’ – que estudam e memorizam o movimento dos olhos de forma a identificar, para o futuro, as partes do relatório que são mais lidas e analisadas.
Além disso, com um motor de busca semelhante ao Google, com o Reporting 5.0, qualquer pessoa pode estudar mais o porquê de determinado fenómeno financeiro que está a ocorrer na empresa. O programa gere automática e momentaneamente um mapa com os indicadores e business units desejadas.
Na era da data analytics – análise de dados – o Reporting 5.0 permite fazer simulações preditivas. Por exemplo, calcular que impacto terá nas vendas um aumento do investimento em marketing na redes sociais.
A capacidade de fazer simulações preditivas pelas empresas portuguesas “merece reflexão”, vincou Gabriela Teixeira, consulting leader da PwC Portugal.
Na conferência “Future of Finance: Qual o futuro da função financeira”, organizado pela PwC Portugal e da qual o JE foi media partner, que se realizou esta quarta-feira, a consultora apresentou os resultados da primeira edição do “CFO Survey da PwC Portugal”.
“No estudo vemos que só 5% das empresas que estavam no nosso estudo (69) reconhecem que têm capacidade para simulações preditivas, quando nós cada vez mais temos de estar a olhar para o futuro”, referiu Gabriela Teixeira. “E depois também 49% dos nossos inquiridos têm muitas preocupações em ter reportes de gestão, dashboards e KPI que lhes permitam ter informação para a tomada de decisão. Isto significa que ainda temos um caminho a percorrer a esta área”, salientou.
O panorama da função financeira está a mudar e “hoje em dia o planeamento é interativo e contínuo”, explicou Gabriela Teixeira. “O CFO do futuro vai ser uma figura mais perto da estratégia e do negócio e muito menos de backoffice, como ainda hoje é entendido. É muito mais interventivo a estar junto do negócio e a entendê-lo”, explicou a consultora.
As necessidades dos clientes mudaram nos “últimos dois ou três anos”, disse Gabriela Teixeira. Hoje preferem soluções “chave na mão que possam utilizar no dia a dia”.
Traços de personalidade: uma commodity desejada
Apesar do impacto da tecnologia na função financeira, a PwC Portugal não descura dos traços de personalidade dos colaboradores, que, na opinião de António Brochado Correia, é vital para o sucesso. “No nosso negócio, quem ganhar o talento, ganha o negócio”, garantiu o territory manager da PwC Portugal.
O CFO do futuro – e quem trabalha na área financeira – vai mais além do que apenas analisar números. “Qualquer que seja o CFO do futuro deve olhar para a função financeira como correspondendo a uma série de respostas de várias partes interessadas que devem interagir – a parte regulatória, a parte acionista, colaboradores, clientes. Isso leva a que o CFO tenha de ter uma preparação que vai muito além das capacidades tradicionais das áreas financeiras”, revelou António Brochado Correia.
Para o número 1 da consultora, a PwC treina bem as competências técnicas, sendo por isso necessário uma aposta nas soft skills. “As capacidades de comunicar, as capacidades de pensar positivo, são as mais escassas”, reconheceu.
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