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Bolsonaro admite ter tido acesso a gravações da portaria da sua casa

O presidente Jair Bolsonaro admitiu que pegou o registo de gravações da portaria do seu condomínio, o Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro.
3 Novembro 2019, 15h51

Segundo depoimento revelado pela TV Globo, um porteiro disse que ‘Seu Jair’ havia autorizado a entrada no condomínio de Élcio de Queiroz, suspeito de ser o motorista do carro usado no homicídio da vereadora Marielle Franco e de Anderson Gomes, no dia do crime.

Além disso, o funcionário afirmou que Queiroz pedira para chamar a casa 58, que pertence ao presidente – Bolsonaro estava em Brasília na ocasião. No entanto, de acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, um áudio prova que o acesso de Queiroz foi liberado por Ronnie Lessa, acusado de ser o autor material dos homicídios e que mora no mesmo condomínio, na casa 65.

Recorde-se que os alegados assassinos de Marielle Franco, vereadora da prefeitura (autarquia) do Rio de Janeiro, morta em março de 2018, estiveram no condomínio onde residia, à época, o atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, antes do crime ter sido perpetrado, de acordo com uma investigação da ‘TV Globo’.

Foi o porteiro do condomínio Vivendas da Barra, na “cidade maravilhosa”, que implicou Bolsonaro no crime e, por isso, o processo relativo à morte de Marielle Franco vai passar para o Supremo Tribunal Federal.Mas como é que o nome do Chefe de Estado brasileiro é implicado no caso? Segundo a ‘TV Globo’, em 14 de março de 2018, Élcio Queiroz, preso há seis meses por suspeita de ter participado no homicídio de Marielle Franco, deslocou-se ao condomínio Vivendas da Barra e, segundo o porteiro, disse que ia à casa 58, a residência de Bolsonaro.

O porteiro ligou para a casa 58 e de lá autorizaram Queiroz a entrar. Mas, segundo o porteiro, Élcio Queiroz acabou por se desviar dessa casa e entrar na habitação 66, residência de Ronnie Lessa, outro suspeito de ter participado na morte da autarca do Rio de Janeiro e que também está preso.Ainda que a investigação da estação brasileira indique que Bolsonaro não estava no Rio de Janeiro nesse dia, visto ter dado entrada oficial no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, a implicação de Bolsonaro no caso está feita.

Não se sabe, por isso, quem da casa 58 autorizou a entrada de Queiroz no condomínio.Assim, o processo do homicídio de Marielle Franco para o Supremo Tribunal Federal, que analisa todos os casos de autoridades com foro privilegiado, no caso, o presidente da República.Em resposta, Jair Bolsonaro apelou ao Ministro da Justiça, Sergio Moro, para que volte a recolher o depoimento do porteiro do condomínio.

Entretanto, o presidente brasileiro culpou o governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel pela fuga de informação – algo que Witzel já repudiou.A reação de Bolsonaro também se alongou à ‘TV Globo’, que foi ameaçada de não conseguir renovar a sua concessão de operador televisivo.

Bolsonaro acusou o canal de “canalhice” e “patifaria”, algo que os seus responsáveis responderam tratar-se de “jornalismo”.Marielle Franco, vereadora na prefeitura (autarquia) do Rio de Janeiro pelo Partido Socialismo e Liberdade, foi morta junto ao seu carro, juntamente com o motorista Anderson Gomes, depois de sofrerem uma rajada de 13 tiros. A assessora Fernanda Chaves também seguia com as vítimas, mas sobreviveu ao episódio.


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