[weglot_switcher]

BE questiona Governo sobre reconversão da central do Pego para biomassa

Os bloquistas defendem que a reconversão da central termoelétrica do Pego do carvão para biomassa “pode ter a sua viabilidade dependente da importação massiva de madeira e, por conseguinte, numa elevada subsidiação da produção”, com custos acrescidos para os contribuintes.
5 Novembro 2019, 11h21

O Bloco de Esquerda (BE) apresentou esta segunda-feira um conjunto de questões ao Governo em relação à reconversão da central termoelétrica do Pego do carvão para biomassa. Os bloquistas consideram que o projeto vai implicar “graves consequências tarifárias ou orçamentais (pela necessidade de subsidiação que implica) e sobretudo ambientais”.

Entre as questões endereçadas ao ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, está “a viabilidade do funcionamento desta central a partir da queima, em exclusivo, de biomassa florestal residual”. Os bloquistas notam que “a grande produção a biomassa implica fortes perdas de coberto arbóreo, tanto mais quanto já existe excesso de potência instalada de biomassa em Portugal”.

O BE diz que, só entre 2016 e 2017, foram licenciadas oito grandes centrais, o que se traduz em 150 megawatts. “Estas necessidades de biomassa superam largamente o que a capacidade de gestão de resíduos florestais pode proporcionar, estimulando a produção florestal para fins energéticos e até novos projetos hidroelétricos vocacionados para sustentar a rega dessa produção”, indica o partido.

A conversão da central a carvão para uma central a biomassa é uma das hipóteses que está em cima da mesa, depois de o Governo de António Costa ter anunciado que essa central deverá ser encerrada até 2021. Segue-se depois a central a carvão de Sines, cujo encerramento deve acontecer até 2023.

Segundo as contas do BE, que utiliza como exemplo a central de Drax, no Reino Unido, a conversão da central do Pego necessitaria da produção de, pelo menos, 5,2 milhões de toneladas de madeira verde, quando “uma estimativa otimista da disponibilidade total de biomassa florestal residual em Portugal aponta para cerca de 5 milhões de toneladas/ano”.

Além disso, o BE indica que uma parte da biomassa florestal residual disponível no país “pode não ser efetivamente aproveitável, devido a fatores como a fraca acessibilidade e distância entre áreas florestais (que impossibilitam que a matéria residual chegue a preços competitivos às centrais de biomassa) e a baixa atratividade dos matos como matéria-prima para a produção de eletricidade”.

Os bloquistas defendem, por isso, que a reconversão “pode ter a sua viabilidade dependente da importação massiva de madeira e, por conseguinte, numa elevada subsidiação da produção”, com custos acrescidos para os contribuintes.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.