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Orange Bank chega a Espanha, quando Altice prepara serviços financeiros em Portugal

Orange entrou na banca há dois anos em França, contando já com mais de 300 mil contas abertas. O projeto chegou agora a Espanha, numa altura em que a Altice anunciou que vai apostar em serviços financeiros em Portugal. A aposta das ‘telecom’ na banca e área financeira pode “fazer escola” em França, Espanha e Portugal.
26 Novembro 2019, 07h53

Dois anos volvidos após o anúncio de que “a Orange já é um banco”, o grupo de telecomunicações francês expande a sua oferta até Espanha com o arranque de operações financeiras naquele país, esta segunda-feira. Este é um modelo de negócio que o grupo já tem em França e que terá seguidores, tendo em conta o interesse do Grupo Altice, em Portugal, querer apostar em serviços financeiros.

A diversificação do portefólio destas duas operadores passa, seguramente, pelo setor bancário e financeiro.

No caso da Orange, em Espanha, a telecom importa o modelo já vigente em França apostando nas cerca de mil lojas que tem naquele país para implementar o Orange Bank Espanha. No país de origem da empresa, o serviço bancário, conta já com 334 mil contas abertas e 122 mil empréstimos concedidos a pessoas singulares.

O Orange Bank opera de acordo com a banca tradicional, tendo autorização do Banco de Espanha – regulador da banca espanhola – para abrir dependências bancárias nas mil lojas que controla em Espanha, segundo o “Cinco Dias”.

Inicialmente, estarão disponíveis serviços de abertura de contas correntes e poupança, concessão e emissão de cartões de crédito e cartões de débito,  bem como pagamentos online e empréstimos pessoais.

Contudo, o objetivo da Orange é a banca digital, pretendendo que os futuros clientes do Orange Bank em Espanha recorram aos seus produtos por canais digitais, numa lógica também de fintech.

De acordo com o “Cinco Dias”, as metas da Orange para o seu banco em Espanha não foram revelados. Mas, de acordo com afirmações do CEO da Orange Espanha, o facto de a telecom ter mais de 15 milhões de clientes no mercado espanhol, “com uma penetração de 10%”, o objetivo passa por criar uma marca bancária relevante naquele país.

O projeto Orange Bank nasceu em 2017 – embora o início da operação em França tenha arrancado só em 2018 -, após a operadora francesa ter comprado 65% do capital do Groupama Banque. O movimento da telecom ao diversificar o seu portefólio para o setor bancário foi, então, “tido como um dos movimentos mais importantes de uma operadora”, sendo que “bancos de investimento e agências de notação financeira aguardam a evolução do negócio”, segundo o “Cinco Dias”.

Um movimento que já terá seguidores. Também em Espanha, operadora de telecomunicações Telefónica, em conjunto com o CaixaBank e a operadora MásMóvil e a Cetelem, lançou serviços financeiros incluindo a concessão de crédito – mas nada na mesma linha da aposta da Orange.

Altice quer apostar em serviços financeiros em Portugal nos próximos três meses
No Grupo Altice, onde se insere a Altice Portugal, há também a pretensão de criar um banco. Em 2017, o jornal francês “Le Parisien” escreveu que o grupo de Patrick Drahi tinha em curso o projeto Altice Bank e que já teria requerido uma licença ao Banco Central Europeu. Desde outubro de 2016 que o grupo tem a marca Altice Bank registada a nível europeu, por um período de dez anos.

Contudo, até ao dia de hoje não foi anunciado se essa autorização foi concedida pelao BCE. Em agosto de 2017, o JE noticiou que a Altice Portugal já teria entrado em contacto com o Banco de Portugal com o objetivo de vir a abrir uma sucursal do Altice Bank.

Dois anos depois da notícia do jornal francês, o presidente da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, revelou que a dona da Meo prepara o lançamento de novos serviços, “fora do que expectável”, incluindo na área financeira.

“O final deste ano e o início do próximo – os próximo três meses – vão ser férteis em novidades. Vamos sair da componente telco e diversificar o nosso portefólio […] Serviços financeiros são uma das áreas que iremos desenvolver. Estamos a trabalhar ativamente na área de serviços financeiros”, afirmou Alexandre Fonseca, num encontro com jornalistas sobre as contas do terceiro trimestre de 2019  da operadora, em 14 de novembro.

O projeto da Altice Portugal, pelo que foi explicado aos jornalistas, insere-se numa lógica fintech e não na banca tradicional. Isto é, a ideia passará por serviços financeiros que consistirão na concessão de crédito e criação de meios de pagamento digitais.

A Altice já se encontrará a trabalhar com dois parceiros na área da banca. Há cerca de um ano, à Reuters, Alexandre Fonseca afirmou que a Altice Portugal estava, à data, a “discutir ativamente” com dois bancos para lançar o projeto.

Não são conhecidos detalhes, nomeadamente, se a aposta nos serviços financeiros será pela marca Altice ou se a empresa será parceira de algum banco.

Facto é a intenção da dona da Meo. “Nos próximos três meses, três ou quatro novas áreas de atividade vão surgir – serviços financeiros é uma delas”, garantiu Alexandre Fonseca.


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