A TUV Rheinland é o organismo de certificação com o maior número de hotéis certificados em Portugal enquanto, a nível mundial, já ultrapassou o milhar de certificações. Fernando Lamares, diretor-geral da TÜV Rheinland Portugal, diz que, na internacionalização das empresas, o cumprimento das regras técnicas de cada mercado é um fator crítico de sucesso, mas é também o “calcanhar de Aquiles”.
O gestor sintetiza os erros mais comuns dos gestores que internacionalizam.
As empresas nacionais precisam cada vez mais de avançar para a internacionalização. Aconteceu a primeira vaga com as grandes companhias e é necessário que a segunda vaga de PME entre em novos mercados. A TÜV Rheinland é uma empresa com reputação reconhecida. Como pode ser o “porta-aviões” para levar outras empresas portuguesas para o exterior?
A TÜV Rheinland pode emprestar uma série de valências às empresas nacionais que pretendam internacionalizar os seus negócios. Essas valências podem inserir-se em quatro vetores essenciais: vasto conhecimento dos mercados internacionais, pela génese multinacional da empresa; presença em 65 países, o que permite um know-how profundo sobre as vicissitudes de cada geografia; um serviço de certificação reconhecido internacionalmente, valorizado como fator de diferenciação; e um portfólio de serviços alargado que permite que as empresas nacionais necessitem de apenas um parceiro técnico, ao invés de terem que encontrar vários para cada fase ou situação específica.
É preciso ter em conta que as condições e requisitos exigidos às empresas exportadoras portuguesas variam de mercado para mercado. A TÜV Rheinland é, seguramente, das poucas entidades a nível mundial que, através de um único ensaio em laboratório especializado, consegue certificar um produto de forma a permitir a sua entrada em mercados tão díspares como a Europa, a América do Sul, a América do Norte ou a Ásia.
Que aconselhamento pode a TÜV Rheinland dar a quem se aventura pela primeira vez no mercado externo?
Um conselho basilar que a TÜV Rheinland Portugal dá sempre aos seus clientes que têm a internacionalização como objetivo é o da importância de dominar os requisitos técnicos de cada mercado. Diferentes de país para país, os requisitos técnicos estão, muitas vezes, na origem dos problemas de entrada em determinados mercados, assumindo-se como fatores de exclusão para determinados produtos.
O acompanhamento por um parceiro técnico é essencial. Um processo de certificação de um produto pode demorar seis meses, um ano ou até mais. Da parte das empresas, o desconhecimento dos requisitos técnicos internacionais é, por norma, muito grande. Os empresários e gestores tendem a considerar que têm um produto excelente para vender e exportar, mas isso só por si não é suficiente. E, por vezes, descobrem-no demasiado tarde.
Na Europa, há grandes diferenças entre países?
Mesmo dentro da Europa, espaço económico unificado e aberto, diferentes países olham para os requisitos técnicos de formas diferentes. Olhando para o caso dos países do norte da Europa, se um produto não possuir uma certificação com reconhecimento internacional, está impossibilitado de ser comercializado nesse mercado – não há espaço sequer para uma conversa exploratória.
Outro exemplo prático: as exportações de produtos alimentares para o Reino Unido obedecem a uma norma específica. Mas a Alemanha também tem a sua própria norma. Seja por uma questão de afirmação de soberania, seja de vaidade, cada país gosta de impor a sua norma e não aceita de bom grado normas de outros mercados.
Existem depois, no mesmo espaço europeu, outros países, como Portugal, com políticas menos restritivas, onde a entrada de produtos estrangeiros é mais facilitada.
Qual é preferível, o mercado europeu, africano ou sul-americano?
A TÜV Rheinland Portugal não se interpõe no processo de escolha dos mercados nem pretende substituir-se às empresas exportadoras nestes processos de tomada de decisão. O que fazemos, e acreditamos que o fazemos da melhor maneira, é dar o aconselhamento técnico necessário para que as empresas tomem essas opções da forma mais informada e o mais bem preparada possível, sendo que a escolha do mercado-alvo está, em grande medida, relacionada e condicionada pelo tipo de produto que se pretende exportar e o cumprimento de requisitos técnicos dos mercados alvo.
Sendo a TÜV Rheinland uma empresa de certificação e de inspeção, em que fase pode entrar na ajuda às empresas nacionais que se querem internacionalizar?
Para maximizar o nível de apoio dado – e, consequentemente, os seus resultados – às empresas nacionais que se querem internacionalizar, a TÜV Rheinland deverá entrar em duas fases principais: na fase de análise dos protótipos, nomeadamente para efeitos de ensaios de produtos e posterior certificação; e na fase de seleção dos mercados-alvo, durante a qual a TÜV Rheinland poderá fornecer toda a informação técnica necessária relativa a cada mercado específico, fator crítico de sucesso para sustentar a decisão da geografia na qual apostar.
Quais os setores de atividade onde a TÜV Rheinland pode entrar?
A TÜV Rheinland atua em Portugal na área da certificação de Sistemas de Gestão e na área industrial com acreditação nacional e acreditação no âmbito do sistema alemão. Este posicionamento reverte-se de elevada importância e vantagem para os nossos clientes, pois determinados mercados aceitam preferencialmente certificados com reconhecimento internacional, como é o caso dos certificados da TÜV Rheinland
Como empresa multifacetada que é, a TÜV Rheinland está preparada para apoiar as empresas com a sua expertise técnica em todos os setores de atividade, da indústria e agro-indústria aos serviços, passando pelo comércio. Naturalmente, as áreas ligadas à indústria são aquelas em que a nossa empresa é mais requisitada para intervir.
As empresas nacionais continuam a cometer erros de principiante ao não aceitarem recomendações para operarem no exterior?
Os erros mais comuns a que assistimos, e que estão muitas vezes na génese dos problemas das empresas nacionais nos processos de internacionalização, prendem-se com três fatores principais: os produtos estão desajustados aos requisitos dos mercados-alvo escolhidos; não são cumpridas na íntegra as normas específicas de cada mercado; a certificação dos produtos e sistemas obtida pelas empresas não é reconhecida internacionalmente.
Para quem quer exportar, há uma regra simples a cumprir: é preciso jogar com os mesmos trunfos dos concorrentes. Ou seja, no mínimo, as empresas nacionais têm de procurar obter as mesmas certificações que os produtores locais dos mercados onde vão investir. De outra forma, nunca poderão aspirar a ter sucesso no exterior.
Que papel pode ter a TÜV Rheinland no aproveitamento dos fundos comunitários inseridos no Programa Portugal 2020?
A TÜV Rheinland pretende trabalhar com as empresas nacionais que se candidatam aos fundos comunitários, no âmbito da internacionalização, na qualidade de parceiro técnico na identificação das reais necessidades de cada candidatura, tendo em conta o mercado-alvo escolhido. Acompanhando todo o processo, desde a produção dos protótipos, passando pelos ensaios de produtos, a certificação e a identificação dos mercados internacionais, a TÜV Rheinland Portugal visa apresentar-se como um fornecedor técnico único para todo o processo de internacionalização.
A TÜV Rheinland está em condições de aconselhar a preparação de dossiês de candidatura?
O nosso papel não é fazer a instrução nem o aconselhamento financeiro de candidaturas. A TÜV Rheinland pretende assumir-se como um parceiro técnico dos candidatos e, nessa medida, o trabalho que faz prende-se com a aferição das reais necessidades de cada candidatura e com a adequação técnica das mesmas, tendo em conta os objetivos, os produtos em questão e os mercados-alvo previstos.
Que conselhos dá a quem pretende aproveitar os fundos no âmbito do Portugal 2020?
Se as empresas pretendem investir e aproveitar os recursos financeiros é imprescindível que definam corretamente os seus objetivos, de forma a perceber qual o programa operacional do Portugal 2020, ao qual se podem candidatar para tentar obter financiamento. É importante que consultem a lista de objetivos temáticos e prioridades de investimento de cada programa operacional.
Se, por exemplo, os objetivos estão relacionados com a Qualificação e Internacionalização da empresa, é imprescindível conhecer em detalhe quais os mercados em que a empresa pretende entrar e de que forma está preparada para esses mercados, quer seja no que respeita ao desenvolvimento e engenharia de produtos, serviços e processos, quer relativamente às certificações específicas desses produtos ou mercados, não desvalorizando a formação/qualificação dos seus recursos humanos.
Por último, para quem não conhece em detalhe os formalismos e detalhes das candidaturas, é importante procurar apoio para que a candidatura seja bem instruída.
As empresas nacionais estão em condições de superar o desafio da competitividade global?
Acreditamos que as empresas nacionais têm o potencial e o engenho para isso. Contudo, e nunca é de mais reforçar este ponto, o conhecimento e cumprimento das regras técnicas de cada mercado é um fator crítico de sucesso, mas é também, invariavelmente, o “calcanhar de Aquiles” das empresas portuguesas que pretendem internacionalizar os seus negócios.
Há mercados que devem evitar?
A TÜV Rheinland não pretende substituir as empresas nacionais na fase de identificação dos mercados-alvo, nem gostamos de nos pronunciar sobre os mercados. Essa decisão cabe ao gestor de cada empresa. Nós somos os parceiros técnicos e trabalhamos para fornecer às empresas todos os dados técnicos necessários para conhecer e dominar os diferentes requisitos de cada geografia, tornando o processo de decisão o mais informado e sustentado possível, reduzindo ao máximo os fatores de risco.
Quando um projeto empresarial falha no exterior, o problema de fundo está nas empresas, nos mercados ou nos gestores?
Creio que, quando o resultado de um projeto empresarial no exterior é negativo, tal deve-se ao facto de existirem problemas ao nível de uma série de fatores – do conjunto do processo – e não de uma única condição, pessoa ou empresa. Identificamos uma enorme necessidade de garantir o envolvimento dos gestores e decisores das empresas em fases estratégicas do processo, como são as fases mais técnicas. Não raras vezes, as vertentes técnicas dos processos são descuradas em detrimento dos imperativos financeiros, acabando por condenar os projetos de forma definitiva.
No nosso país, temos ainda um problema adicional, que julgamos ser cultural, que se prende com a pouca importância dada à questão das certificações. É inequívoco que há boas empresas, bons produtos e bons “marketeers”. Mas ainda há, em Portugal, pouca consciência de que, quando falamos de certificação, estamos a falar no cumprimento de requisitos normativos internacionais, cumprimento de requisitos de qualidade de produtos e serviços obrigatórios, segurança de bens e de pessoas e, acima de tudo, na necessidade imperiosa de reduzir e racionar custos. Este problema coloca-nos uns passos atrás em relação a alguns mercados internacionais mais avançados, nos quais a falta de competitividade compromete em definitivo as pretensões internacionais de algumas empresas nacionais e em alguns casos a sua sustentabilidade.
Como tem evoluído em Portugal a atividade da TÜV Rheinland?
Apesar do contexto económico-financeiro dos últimos anos, a TÜV Rheinland Portugal, após uma restruturação do seu portfólio de serviços em 2011, decidiu investir na implementação de novas áreas de negócio, como serviços de inspeção industrial acreditados no âmbito do sistema português de acreditação de acordo com a EN 17020, realização de ensaios não destrutivos de acordo com a EN 17025, e inspeções de 3.ª Parte, entre outros serviços.
Hoje, a nossa equipa de inspetores qualificados tem a capacidade de escolher o método adequado para vencer o desafio de um funcionamento seguro enquanto reduz os custos na operação dos equipamentos. Desenvolvemos inspeções para qualquer código, norma ou especificação estabelecida pelo cliente.
O mercado nacional está saturado ou há espaço para aumentar as vendas?
A recente abertura de um escritório e um laboratório de ensaios na região norte (Porto) faz parte da estratégia de expansão a nível nacional, encontrando-se igualmente prevista para muito em breve a abertura de escritórios e laboratórios em Sines e Aveiro.
A principal aposta da TÜV Rheinland em Portugal é ser o principal parceiro no apoio às PME e às grandes empresas nacionais através de oferta de serviços de grande valor acrescentado. Queremos igualmente, manter a liderança nos serviços relacionados com as energias renováveis, através da otimização da comunicação com os nossos clientes e de uma oferta de multisserviços “one stop shop” nas áreas técnicas. Outro foco grande é a promoção de sinergias a nível internacional para as empresas portuguesas.
Quais as últimas adjudicações de referência?
Dada a diversidade de serviços oferecidos pela TÜV Rheinland, como as inspeções industriais, certificação de produtos e de sistemas, ensaios e testes, formação técnica, certificação de pessoas, etc., a tipologia de projetos e clientes é transversal a todo o tipo de setores industriais, comércio e serviços.
Assim, somos líderes nacionais na inspeção e certificação no setor das energias renováveis (inspeção de aproximadamente 70% dos parques eólicos e fotovoltaicos de Portugal), e concedemos a certificação EN 1090 às seis maiores metalomecânicas portuguesas. Somos também o organismo de certificação com o maior número de hotéis certificados em Portugal (e a nível mundial, com mais de 1000 hotéis certificados) e temos o crédito de ter a certificação com reconhecimento internacional de produtos dos principais fabricantes nacionais, inspeções pré-embarque realizadas em mais de 65 países a nível mundial. Além disso, damos apoio ao desenvolvimento de produtos e soluções tecnológicas de empresas nacionais (exportação) através da nossa rede internacional de laboratórios.
A relação com os reguladores dos vários setores é pacífica?
A relação com as entidades reguladoras no âmbito do Sistema Português da Qualidade tem sido de elevada cordialidade no que respeita a questões técnicas relacionadas com a certificação ou inspeções. Mas, por comparação com as entidades reguladoras alemãs, os custos anuais que nos são imputados, por exemplo, por cliente certificado e o número de auditorias de testemunho realizadas por estas entidades, e que necessariamente temos que imputar aos nossos clientes, é algo que não se verifica na mesma medida no âmbito do sistema alemão de acreditação.
A TÜV Rheinland está a certificar empresas nacionais?
Sim, somos os parceiros escolhidos por muitas empresas nacionais. Os nossos clientes são principalmente organizações com implementação a nível internacional, tanto PME como grandes empresas nacionais, que procuram a diferenciação pela qualidade, a diversidade de serviços de um só fornecedor e o prestígio da marca TÜV Rheinland. O índice de fidelização de clientes é superior a 95%, sendo o principal motivo a elevada qualidade dos nossos serviços e a inovação tecnológica das soluções apresentadas aos nossos clientes.
Que valores estão na base do sucesso da TÜV Rheinland em Portugal?
A TÜV Rheinland tem sido bem sucedida ao enfrentar novos desafios resultantes da relação entre o Homem, o ambiente e a tecnologia, e é esse o nosso propósito. A nossa empresa visa apoiar o crescimento sustentado da indústria nacional, oferecendo serviços que assegurem uma melhoria constante dos níveis de competitividade em condições de segurança e qualidade, permitindo que a indústria portuguesa se aproxime da média europeia.
Prestação de serviços de forma imparcial e competente, bem como encontrar as melhores soluções de acordo com as necessidades os nossos clientes é o nosso compromisso. A preocupação com o ambiente, a conservação de recursos e os requisitos sociais permite-nos desenvolver estratégias que asseguram um desenvolvimento sustentável para os nossos clientes, contribuindo para uma sociedade na qual inovação e conservação de recursos estão intimamente ligados.
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