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França vê mais longe. Vem aí mais investimento

Alain Afflelou e Sodexo são duas apostas recentes no mercado português. Quase sem se dar conta, o investimento francês no nosso país cresceu 17,6% nos primeiros seis meses deste ano. Os bons ventos mantêm-se. A ótica francesa Alain Afflelou adquiriu este ano 30% do capital da Optivisão, tornando-se o maior acionista individual do grupo português. […]
6 Dezembro 2015, 09h01

Alain Afflelou e Sodexo são duas apostas recentes no mercado português. Quase sem se dar conta, o investimento francês no nosso país cresceu 17,6% nos primeiros seis meses deste ano. Os bons ventos mantêm-se.

A ótica francesa Alain Afflelou adquiriu este ano 30% do capital da Optivisão, tornando-se o maior acionista individual do grupo português. Logo a seguir, anunciou a fasquia para os próximos anos: 100 lojas de marca própria. Atualmente são 25. A também francesa Sodexo, que opera em 82 países, adquiriu o negócio do cartão “Free Refeição” do Millennium bcp e prepara já novos lançamentos no mercado.

Alain Afflelou e Sodexo demonstram confiança no mercado. Não são, nesta altura, as únicas empresas francesas a fazê-lo. Dados do Banco de Portugal referentes ao primeiro semestre de 2015 dão conta de um aumento de 17,6% no montante do investimento francês quando comparado com o período homólogo de 2014, alcançando cerca de 184 milhões de euros.

A França é, tradicionalmente, um dos maiores investidores estrangeiros em Portugal. Com uma implantação iniciada há décadas, o investimento francês tem a caraterística de incidir mais na área industrial e produtiva do que nos serviços, embora também aqui se verifique uma presença forte. No vasto rol de investimentos na área dos serviços, dois se destacam pela sua dimensão e importância: a compra da ANA pela Vinci Airports, maior investimento francês de sempre em Portugal e nos serviços financeiros, o BNP Paribas. A maior instituição financeira gaulesa centralizou em Lisboa as operações mundiais da filial BNP Paribas Securities Services.

Além de grandes grupos e empresas em setores como o automóvel (Peugeot-Citroën, Renault ou Faurecia), químico (Air Liquide) e farmacêutico (Sanofi), material elétrico (Schneider), transportes (Veolia), hotelaria (Accor), telecomunicações (Altice), grande distribuição (grupo Auchan/Jumbo, Leroy Merlin ou Decathlon), materiais de construção (Saint-Gobain), vinhos (Grupo La Martiniquaise) ou setor da moda (Louis Vuitton), existe um conjunto de várias centenas de pequenas e médias empresas nestes e noutros setores (como as TIC, aeronáutica, energia, ambiente ou turismo e restauração) que reforçam a sua presença no país.

Estima-se em mais de 600 as empresas francesas em Portugal, a maior parte das quais tem apostas de natureza estruturante como a que a Alain Afflelou agora anuncia. A estratégia da empresa passa por fazer crescer a marca própria e manter a Optivisão como uma entidade separada. Pretende-se que Portugal venha a representar 10% das vendas. Mais. Conforme revelou ao OJE Wilson Gaspar, country manager da marca em Portugal, a empresa está de olhos postos no mercado. “Estamos atentos a possíveis oportunidades que surjam ao nível de aquisições de unidades já existentes”, avançou o gestor.

O investimento de França em Portugal (IDE), de acordo com o Princípio Direcional, registou os seus valores mais elevados em 2011 e 2014: 591 milhões e 114 milhões de euros, respetivamente.

 

Os dados do Banco de Portugal referem que em termos de sotck, o IDE ascendeu a 3 958 milhões de euros no final de dezembro de 2014, representando 4,5% do total captado por Portugal. Em junho de 2015, o sotck de IDE francês em Portugal ascendeu a quase 4.221 milhões de euros, posicionando-se a França como o quinto país de origem do IDE, com 4,1% do total nessa data.

Por Almerinda Romeira/OJE


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