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Pais da democracia portuguesa: Álvaro Cunhal

“Portugal é o sobrinho pobre, em casa da tia rica…”, Álvaro Cunhal
22 Janeiro 2016, 00h05

Álvaro Barreirinhas Cunhal nasceu em Coimbra a 10 de novembro de 1913 e, aos 91 anos, morreu comunista tal como se tinha tornado por convicção com apenas 17 anos. Foi com esta idade, em 1931, que Álvaro Cunhal ingressou na Faculdade de Direito de Lisboa, eleito representante dos estudantes de Lisboa no Senado Universitário e quebrou logo tabus na sua primeira proposta: acabar com a Mocidade Portuguesa. Além de se juntar ao Partido Comunista Português com 17 anos, entrou também para a Liga dos Amigos da URSS e do Socorro Vermelho Internacional. Depressa subiu etapas na organização do partido e, em 1935, já era secretário-geral das Juventudes Comunistas.

No ano seguinte, entrava para o Comité Central, que o enviou a Espanha, onde viveu os primeiros meses da guerra civil, uma experiência que o colocou na rota de outra paixão que desenvolveu: a escrita. Foi aqui que se inspirou para o seu romance A Casa de Eulália. Em 1937 e com 24 anos, Álvaro Cunhal é preso pela primeira vez. Questões políticas obrigam-no a ter de cumprir o serviço militar (início de dezembro de 1939) na Companhia Disciplinar de Penamacor mas, por motivos de saúde, a junta militar foi obrigada dispensá-lo. Em maio de 1940, foi novamente encarcerado e aqui aproveitou para estudar, tendo ido à faculdade, sob escolta policial, defender a sua tese (trabalho de cem páginas que a PIDE viria a confiscar) sobre uma realidade social do abordo e a sua despenalização.

Os examinadores Paulo Cunha, Cavaleiro Ferreira e Marcelo Caetano (que vieram uns anos depois a integrar o Governo de Salazar) deram-lhe 19 valores. Chegou a dar explicações a Mário Soares no Colégio Moderno passando à clandestinidade mas foi de novo preso pela PIDE em 1949. Esteve mais de oito anos isolado numa cela, tempo que aproveitou para desenvolver a escrita e aperfeiçoar o desenho. Foge a 3 de janeiro do Forte de Peniche (naquela que é considerava a fuga mais espetacular de sempre em Portugal) e atravessa novo período de clandestinidade). Álvaro Cunhal é eleito secretário-geral do PCP em 1961, dando corpo a um cargo que se encontrava vago desde 1942. Com a liberdade, regressa de Paris e, entre 1975 e 1992, foi deputado à Assembleia da República, tendo, por curtos períodos, assumido o lugar na sua bancada. Em 1982, torna-se membro do Conselho de Estado, cargo que abandonou em 1992, ano em que cedeu liderança do PCP a Carlos Carvalhas.

Por José Carlos Lourinho/OJE

 

Os outros pais da democracia portuguesa:

http://www.oje.pt/pais-da-democracia-portuguesa-adriano-moreira/

http://www.oje.pt/pais-da-democracia-portuguesa-almeida-santos/

http://www.oje.pt/pais-da-democracia-portuguesa-mario-soares/

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