A diretora-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, acaba de anunciar que a entidade dedicou uma sessão do conselho executivo, a decorrer esta semana em Genebra, ao surto do vírus zika, que afeta mais de 20 países na América Latina. A situação mais grave é a do Brasil, onde o ministério da Saúde estima a ocorrência de entre 497.593 e 1.482.701 casos em 2015, incluindo 3.893 casos de microcefalia. A Colômbia é o segundo país mais atingido, tendo sido confirmados 13.808 casos, incluindo em 890 grávidas, e 2.611 casos suspeitos.
Em Portugal, segundo detalha o Expresso, até este momento, estão diagnosticados seis casos, cinco dos doentes contraíram o vírus no Brasil, enquanto o caso mais recente é o de um jovem médico recentemente regressado da Colômbia.
A Direção Geral de Saúde já compilou a informação essencial, que passamos a pormenorizar.
Zika?
É um vírus da família “flaviviridae” que é transmitido aos seres humanos pela picada de mosquitos infetados. Os principais vetores são do género “aedes”. O período de incubação varia entre 3 a 12 dias após a picada. A maioria das infeções é assintomática (entre 60 a 80%).
Atenção aos sintomas!
Os sintomas são geralmente ligeiros e caracterizam-se por uma síndrome febril autolimitada, de curta duração e que se resolve entre 4 a 7 dias, sem complicações graves, letalidade e, geralmente, sem necessidade de hospitalização. Outros sintomas mais frequentes são exantema maculopapular que muitas vezes começa na face e pode atingir todo o corpo, artralgias, conjuntivite não purulenta/hiperemia conjuntival, mialgias e cefaleias. Menos frequentemente são referidas dor retro-orbitária e queixas gastrointestinais.
Como se transmite?
O mosquito “aedes aegypti” é o principal vetor do vírus. Outras espécies do género “aedes” podem ser potenciais vetores, em especial a “aedes albopictus”. Foram também identificadas outras vias de transmissão, como a transmissão perinatal, provavelmente por via transplacentária ou durante o parto quando a mãe está infetada; transmissão sexual. Existe também um risco potencial de transmissão por transfusão de sangue e derivados.
Suspeitas seguem para o IRJ
Perante uma suspeita de infeção, as amostras biológicas (sangue e urina) devem ser enviadas para o Instituto Ricardo Jorge (IRJ). O IRJ faz o diagnóstico de doença por vírus zika através da deteção de RNA viral em amostras biológicas de doentes na fase aguda da doença e na deteção de anticorpos específicos. O período de virémia é curto. A deteção direta do vírus pode ser realizada durante os primeiros 3 a 5 dias após o início dos sintomas no sangue e até 10 dias na urina. A deteção de anticorpos IgM pode ser efetuada a partir do 3.º dia após o aparecimento da febre. Os resultados serológicos devem ser interpretados de acordo com a eventual exposição anterior do doente a outras infeções por flavivírus (por exemplo, dengue) ou a vacinações contra flavivírus (febre-amarela, encefalite transmitida por carraças e encefalite japonesa).
Como se trata?
O tratamento é sintomático, baseado principalmente no alívio da dor, na administração de antipiréticos e de anti-histamínicos (erupções pruriginosas). Não existe atualmente nenhuma vacina ou tratamento específico. É ainda recomendado um reforço hídrico para compensar a eventual desidratação associada à febre.
O tratamento com ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios não-esteroides está desaconselhado por um aumento do risco de síndrome hemorrágico, bem como risco de síndrome de Reye após infeção viral em crianças e adolescentes.
Perante um doente com suspeita de doença por vírus zika, o médico assistente deve realizar a notificação imediata no SINAVE (selecionar a doença Febres Hemorrágicas Virais e Febres por Arbovírus – Febre Zika).
Como prevenir?
A principal medida de prevenção é a proteção contra a picada do mosquito. Ainda assim, evidenciam-se outras precauções dirigidas a grávidas, que devem ser devidamente informadas dos possíveis riscos antes de realizarem a viagem (em consulta com o médico assistente ou em consulta do viajante); e, tendo em conta a demonstração científica de associação entre a doença por vírus zika e a incidência de microcefalia em fetos e recém-nascidos, é igualmente recomendado às grávidas que tenham permanecido em áreas afetadas, após o regresso, que consultem o médico assistente mencionando a viagem.
Por Sónia Bexiga/OJE
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