Falar da América Latina é falar de uma balança com dois pratos. De um lado, países como o Chile, a Colômbia, o Peru ou o Uruguai, que são atrativos e facilitam a realização de negócios. Do outro, países extremamente protecionistas, como o Argentina e o Brasil.
A América Latina não é uma região física, nem económica. A designação faz referência aos países do continente Americano que têm o castelhano, o português e o francês como línguas oficiais. São duas dezenas realidades sociais, culturais, políticas e económicas próprias. A saber: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.
No total do conjunto, a América Latina representou, em 2015, apenas 2,7% das exportações portuguesas de bens, totalizando, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, 1.343 milhões de euros. O número é pequeno ao pé dos 48 mil milhões de euros que renderam as exportações portuguesas no total. Pequeno é também quando se analisa o potencial de uma região que corresponde a 14.1% da superfície terrestre e tem uma população próxima dos 600 milhões, muitos dos quais ascenderam à classe média na última década em resultado de políticas desenvolvimentistas levadas a cabo em países como o Brasil, a Colômbia ou o Peru.
À luz destes indicadores parece indiscutível haver espaço de negócio para ser trabalhado pelas empresas portuguesas. Porém, não será tão fácil como aparenta a proximidade linguística. O forte protecionismo de países como o Brasil e a Argentina é um sério obstáculo à penetração dos produtos estrangeiros.
No conjunto da América Latina, o Brasil é o maior parceiro comercial de Portugal. Mas as exportações para lá marcam passo há anos. Os bens vendidos pelas nossas empresas neste país que fala a mesma língua representaram no ano passado 1,1% do total das exportações nacionais de bens, totalizando 569,3 milhões de euros, no ano passado. Este número traduz uma queda de 10,9% face a 2014. No período compreendido entre 2011 e 2015, as exportações para o Brasil cresceram a insignificância de 0,2%.
Às elevadas taxas alfandegárias e outras dificuldades impostas pelo Brasil à entrada de produtos estrangeiros acresce uma desaceleração da economia, galopante no biénio que corre. Depois de um crescimento de 3% em 2013, o Produto Interno Bruto ficou à tona de água em 2014, com uns escassos 0,1% positivos, para em 2015 contrair 3,7%. Para este ano estima-se uma contração de 3,1%.
Evolução idêntica regista-se nas importações portuguesas do Brasil, que de uns exuberantes 1.462 milhões de euros em 2011 passaram para 860 milhões no ano passado.
O México, segunda economia da América Latina, tornou-se no ano passado o segundo parceiro de Portugal depois do Brasil na área comercial. Mas o montante é não só tímido – 198 milhões de euros, em 2015 – como tem vindo a cair nos últimos anos. Ainda assim, é de assinalar um crescimento no número de empresas portuguesas que vende os seus produtos neste mercado: 606 em 2014, contra 435 em 2010.
A Colômbia será este ano a terceira economia da América Latina em termos de crescimento (4,0%), logo atrás do Peru e do Paraguai. Porém, a elevada taxa de inflação está a impedir um maior desenvolvimento. Num país onde “o critério preço é ainda decisivo”, como vincou o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Colombiana, Manuel Oehen Mendes, na conferência sobre “Negócios na América Latina “, que se realizou na Escola de Negócios AESE, em parceria com a agência de comunicação Atrevia, este é “um mau momento para exportar” para este país”.
A JP – IK, fornecedora de tecnologia na área da educação, é o exemplo de uma empresa portuguesa que tem sido bem sucedida na América Latina. Depois da Venezuela e da Bolívia, a empresa de Matosinhos, que se tornou conhecida com o computador “Magalhães”, venceu recentemente um concurso público para fornecer 960 mil tablets ao Estado mexicano.
A par do México e da Colômbia, também o Peru está a apostar numa maior dinâmica com Portugal. Juan Ruiz, adido comercial do Peru, afirmou recentemente ao OJE: “Podemos ser uma plataforma para as empresas portuguesas na América Latina, como Portugal pode ser uma plataforma para empresas peruanas na Europa e em África, principalmente nos PALOP.”
Por Almerinda Romeira/OJE
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