A inabilidade deste ministro é por demais evidente. Começa por não perceber o que fez, e que não foi mais do que expor a hierarquia militar. Convenhamos que as Forças Armadas têm uma base de organização de caserna e nem tudo é lei e isto passa-se em particular com o exército. Os temas e os problemas são tratados internamente, mas o ministro, ao trazer o assunto para a opinião pública, expôs a hierarquia e a opção do militar – considerado um excecional operacional e de uma seriedade acima de toda a prova – foi o pedido de demissão. O país ficou a perder. Este é um ministro palavroso, o que não se coaduna com a função, é um ministro da ERC. Relembremos que os militares não se acanham e têm como chefe supremo o Presidente da República. As Forças Armadas organizam-se em paz como se estivessem em guerra. Relembremos ainda um ex-titular desta pasta, Santos Silva, que para muitos era irritante no discurso, mas tinha comportamento. Apresentava-se com gravata posta no sítio. Azeredo Lopes vai passar revista às tropas e prescinde dela!
O Colégio Militar era (e digo no passado) uma casa com um estado emocional latente, e com um subdiretor inocente, com “o coração ao pé da boca”. Não está certamente no século XXI. Claro que o Governo não pode permitir uma política de intolerância em termos de direitos fundamentais, incluindo a orientação sexual. Esperamos que esta situação sirva para corrigir o que estava errado nesse ponto. Mas atenção com os princípios militares que continuam intocáveis e, mais uma vez, reafirmamos que os temas das FA devem ser tratado com discrição. Os militares são obedientes mas têm princípios. Trazer temas para a praça pública da forma com o ministro o fez é contraproducente e todos sabemos que o Bloco “morde onde pode morder”. O general Carlos Jerónimo caiu por politiquice. Foi uma pena. Azeredo Lopes é um erro de casting.
Vítor Norinha/OJE
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