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Carlos Oliveira. África do Sul é “um passo natural”

Carlos de Oliveira, presidente da CCILSA e CEO da Leadership Business Consulting, descreve-nos um mercado de grande potencial com a energia e as infraestruturas a surgirem no topo das necessidades prementes.
22 Abril 2016, 00h19

Atualmente, como se caracterizam e que peso assumem as relações comerciais entre Portugal e a África do Sul?

As relações são boas, têm vindo a aumentar, mas revelam ainda um grande potencial de progressão. O saldo da balança comercial de bens e serviços tem sido favorável a Portugal nos três últimos anos, ultrapassando 77,7 milhões de euros em 2013. O coeficiente de cobertura das importações pelas exportações cresceu sempre de 2011 a 2013, situando-se, no último ano, em 151%. Segundo dados da AICEP, a África do Sul passou de 41.º cliente de Portugal em 2010 para 36.º em 2015. Mas a margem de progressão é elevada, porque Portugal ocupa apenas o 56.º lugar do ranking de clientes da África do Sul, com uma quota de mercado de 0,13%. Portugal tem excelentes empresas, tecnologia e inovação necessárias na economia sul-africana, que podem fazer aumentar a sua posição como cliente da África do Sul.

Que mudanças foram ocorrendo no sentido de aumentar o investimento português neste país?

O nível de inovação das empresas portuguesas tem vindo a aumentar de forma sustentável. A sua dimensão encaixa bem nas necessidades da economia sul-africana. A África do Sul é um passo natural para as empresas que investiram em Angola e em Moçambique. Está ali ao lado, é uma economia muito maior, tem menos risco cambial, um ambiente de negócios mais estável e uma segurança contratual superior. A AICEP e a diplomacia portuguesa têm feito um excelente trabalho de apoio às empresas portuguesas. E o facto de não ser preciso visto para entrar e sair do país tem facilitado as visitas de prospeção.

Hoje, porque devem as empresas investir na África do Sul?

Há várias razões, mas saliento cinco. Em primeiro lugar, é um mercado de grande dimensão, com um PIB superior ao de Portugal, e é a maior economia de África (descontando o petróleo da Nigéria), com mais de 50 milhões de habitantes. É um mercado com vários segmentos, do mais básico ao mais sofisticado, permitindo oportunidades para vários tipos de ofertas competitivas. Adicionalmente, é uma porta de entrada para outros mercados em África. Isso é evidente já em várias empresas portuguesas que se instalaram na África do Sul nos últimos anos com vista a uma maior presença no continente africano. Em terceiro, é uma economia madura, o que permite às empresas portuguesas encaixar-se facilmente em cadeias de valor desenvolvidas sem terem de fazer grandes investimentos de suporte à sua atividade core. Em quarto, a economia está a ser alimentada pelas políticas económicas do Governo, de grande investimento em infraestruturas, de redução dos níveis de pobreza e de aumento da classe média negra, o que abre oportunidades a empresas ágeis, como as portuguesas, para participarem neste processo. Em quinto lugar, existe, na África do Sul, uma forte comunidade empresarial portuguesa em diversos setores que pode servir de parceira.

Mas a situação política e económica não coloca riscos?

É um mercado que está sob grande pressão política e económica, como quase todo o mundo, neste momento. Mas se as empresas tomarem as devidas precauções, este é um mercado de grande interesse. Repare que é a maior democracia de África, com tribunais independentes, comunicação social muito forte e sociedade civil exigente. Tem a maior classe média da África subsaariana. Cerca de 20% da população tem rendimento médio e 15% tem rendimento médio elevado, comparando bem com a média africana de 6% e 3%, e com a Nigéria, país mais próximo, com 12% e 5%. Muito à frente do Quénia e do Gana. A bolsa de Joanesburgo é a 19.ª maior do mundo e o rand a moeda mais transacionada dos países emergentes. O setor do retalho é o maior de África e o 24.º mundial.

Que condições devem reunir as empresas para ter sucesso e como se devem preparar?

As empresas portuguesas competem hoje em todo o mundo. A África do Sul é apenas mais um mercado. O domínio do inglês é fundamental. A capacidade de fazer parcerias é recomendável, nomeadamente no âmbito das políticas do Black Economic Empowerment. É essencial recolher informação prévia e depois visitar o mercado, entrar no avião e fazer contactos locais.

Em que setores existem mais oportunidades?

Em quase todos. A energia e as infraestruturas são as necessidades mais prementes neste momento. Evidenciam-se também outros setores, como o de componentes para a indústria automóvel, maquinaria e moldes, telecomunicações e TI, serviços e mesmo setores tradicionais. No topo das exportações portuguesas para a África do Sul destacam-se máquinas e aparelhos (17,3%), produtos agrícolas (17,1%), metais comuns (12,8%) veículos e outro material de transporte (11,4%), combustíveis minerais (7,9%), plásticos e borracha (6,8%).

De que forma pode a CCILSA apoiar as empresas que apostem neste mercado?

A CCILSA desempenha um papel importante de produção de informação de mercado, de identificação de potenciais parceiros, de prestação de serviços de suporte a negócios e investimentos. Adicionalmente, conseguimos descontos relevantes em alojamento e oferecemos espaço físico de trabalho e de reunião aos nossos associados.

Por Sónia Bexiga/OJE


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