Desde que foi desencadeada a ofensiva global contra a parte oriental de Alepo, no passado dia 22, já morreram 376 pessoas e mais de 1.200 ficaram feridas e, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, apenas 400 dos 15 mil rebeldes que se tornaram alvos dos ataques integram a jihadista Frente da Conquista, ex-Frente al Nusra, apoiante da Al Qaeda. Em função disto, a ONU, através do seu enviado-especial, Staffan de Mistura, alertou para os riscos de destruição total naquela zona da cidade.
“O limite são dois meses e meio, pois, caso prossigam os ataques ao ritmo atual, toda a área oriental de Alepo ficará destruída”, avisou, em conferência de imprensa, invocando o genocídio no Ruanda (1994) e o morticínio de Srebrenica, na Bósnia, em 1995, como casos de comparação com o horror a que pode chegar-se também na Síria.
“A História julgará Síria e Rússia se continuarem a recorrer a um fácil álibi”, comentou De Mistura, a propósito dos bombardeamentos em áreas civis a coberto do argumento de estarem a ser atacados elementos identificados como terroristas.
Entretanto, o Exército sírio, apoiado pela Rússia, diminuiu a frequência dos ataques e propôs corredores de segurança para que mais de 250 mil civis, quase metade dos quais são crianças, possam deixar a zona. “Olhem-me nos olhos”, pediu Staffan de Mistura através das câmaras televisivas que seguiam a conferência de imprensa. “Caso decidam retirar-se de forma digna e com as próprias armas, eu pessoalmente estou disponível para os acompanhar fisicamente. Não posso oferecer melhor garantia do que o meu próprio corpo”, sublinhou, acusando os terroristas de manterem os cidadãos da área oriental como reféns.
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