A eurodeputada Marisa Matias afirmou hoje, no Porto, que é “necessário repensar novos termos” do acordo da esquerda, uma vez que 80% das medidas constantes nos acordos estão cumpridas ou em execução.
A eurodeputada do Bloco de Esquerda acrescentou que há “ainda muito a fazer” na educação, saúde e cultura, segundo meios de comunicação, sublinhando que há “vontade de todas as partes em trabalhar” para redefinir o acordo entre o PS, o BE e o PCP, que sustenta o Governo liderado por António Costa.
“O acordo foi feito de forma modesta, mas responsável e exigente. Portanto, toda a gente sabe que uma manutenção desta maioria parlamentar exige que haja uma redefinição de outras prioridades, na medida em que as primeiras se encontram já praticamente esgotadas”, disse Marisa Matias a margem de um evento no Porto, segundo vários meios de comunicação social que citam a agência Lusa.
A bloquista defendeu que o acordo “está a ser cumprido, com responsabilidade, por todas as partes envolvidas”, mas deveria “chegar a muitas mais áreas”, tendo em vista a renegociação da dívida para libertar verbas para o investimento no país.
“Para nós questões como a escola pública, a saúde e a cultura são essenciais. A matéria da saúde é onde menos se tem tocado, por exemplo naquilo que são as rendas das parcerias público-privadas, e há muito a fazer, mas também no setor da energia e da cultura ainda há muito a fazer e essas prioridades têm que ser colocadas em cima da mesa”, sustentou a eurodeputada.
“Há áreas que são absolutamente gritantes, como o caso da cultura, mas também nas áreas da educação e da saúde falta muito investimento. E as regras apertadas de Bruxelas condicionam ainda mais essa falta de investimento”.
O Bloco acredita que, “o Governo deve ter uma posição de confrontação com Bruxelas no sentido de se ir construindo uma política que permita alargar o investimento”, o que deve implicar uma renegociação da dívida pública.
“Vamos ter um saldo primário enorme, superior a 5.000 milhões de euros, portanto não se pode dizer propriamente que faltam recursos. Mas a verdade é que, com as regras do Pacto Orçamental e com o peso que o serviço da dívida tem no orçamento nacional, nós estamos a poupar, e muito, para ficarmos mais pobres, o que não faz sentido nenhum”, sustenta a eurodeputada, salientando que, “tem que haver margem para se falar da dívida, porque sem se falar da dívida nunca conseguiremos alargar a margem necessária para investir em Portugal nos setores fundamentais”.
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