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Investidores em pânico com possível vitória de Trump

Uma vitória do candidato republicano frente a Hillary Clinton poderá causar uma queda de 5% do índice S&P 500, segundo analistas do Citigroup.
Eric Thayer/Reuters
7 Novembro 2016, 06h03

Na semana das eleições norte-americanas, o banco de investimento Citigroup mostra que uma vitória de Trump poderá levar a uma pressão vendedora nos mercados financeiros. Um receio que se agravou com o escândalo dos e-mails de Clinton. E, segundo uma avaliação do Citi, um mal nunca vem só. Ou seja, além de uma queda de 5% no índice que agrega as 500 maiores empresas, a situação económica dos EUA agravar-se-á.

“Uma vitória de Trump traz o risco de um crescimento mais lento e recessão no comércio. O crescimento global também será afetado se a incerteza aumenta”, explica Tobias Levkovich, estratega do Citi, ao canal CNBC. Ao mesmo tempo, estima-se uma queda entre 3% a 5% nas bolsas norte-americanas, indica a nota do banco de investimento.

Aliás, a maioria dos analistas consultados pela CNBC sublinha o pânico dos mercados em caso de uma vitória republicana, com o Barclays a falar mesmo de uma queda até 13%, em oposição aos 2% no caso da eleição de Clinton para presidente dos EUA. No entanto, num artigo publicado no jornal “The New York Times”, o analista Lawrence G. McDonald, da ACG Analytics, compreende a apreensão dos investidores mas deixa um aviso: “Trump iria causar um pânico colossal, mas depois ‘rally’ seria extraordinário.”

“O pior presidente para as bolsas americanas foi Richard Nixon, com quem o SP500 caiu uma média de 5,1% ao ano, seguido de George W. Bush (filho), em cujo mandato a bolsa americana recuou 4,6% ao ano. Estatísticas à parte, o certo é que, tal como salientámos anteriormente, a candidata democrata Hillary Clinton representa a opção pela continuidade, com a qual o mercado provavelmente enfrentaria menos sobressaltos e manteria a tendência actual de lucros empresariais. Em contraste, Donald Trump propõe medidas que, do ponto de vista empresarial, poderiam ser positivas – como a redução dos impostos sobre as empresas –, mas que por outro lado gerariam muita instabilidade tendo em conta o seu carácter beligerante”, salienta um relatório da XTB.

Já em relação aos setores da economia, o energético e a indústria química seriam beneficiados com Trump. Em contraponto, as empresas ligadas ao ambiente sairiam favorecidas com Clinton. Sobre a Saúde, a nota do Citigroup deixa um aviso: “Ambos os candidatos têm uma perspetiva negativa sobre a indústria da Saúde. Apesar do tom populista de Trump ser ainda pior, substituindo o “Obamacare” por outro programa desconhecido”, conclui o Citi.


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