Dias antes de iniciar funções como secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres diz que sente orgulho em ser português, numa entrevista à SIC. O engenheiro e político acredita que Portugal não se deixou influenciar por “populismos” relacionados com questões de migração e refugiados.
“Tenho muito orgulho em ser português. Tivemos recentemente duas campanhas eleitorais muito fortes quer para a Assembleia da República quer para a Presidência da República e um clima político muito tenso. Ninguém levantou a questão dos imigrantes ou dos refugiados”, disse, na entrevista com a jornalista Cândida Pinto. “Em Portugal ninguém ganhou votos com o ódio ou com a intolerância. E isso é uma coisa que me enche de orgulho”.
Terrorismo e a crise migratória foram temas incontornáveis na entrevista. O secretário-geral das Nações Unidas indigitado falou de um movimento “caótico” de pessoas a entrarem pelas fronteiras europeias, uma situação que acabou por ser aproveitada por populistas. No entanto, Guterres afirmou que em Portugal não houve uma exploração dos medos e ansiedades.
António Guterres falou ainda dos líderes mundiais e afirmou que terá “o maior interesse em visitar Trump assim que for possível”. Adiantou que já houve contactos entre as equipas de transição e o sucessor de Ban Ki-moon garantiu que vai fazer tudo para trabalhar de forma construtiva com a nova administração norte-americana.
Apesar da conhecida opinião crítica de Donald Trump em relação às Nações Unidas, Guterres ressalvou o papel “fundamental” dos EUA no funcionamento da organização. Sobre eventuais dificuldades que poderá enfrentar ao negociar com Trump, Guterres não quis especular. No entanto, diz estar habituado a dialogar.
António Guterres já se reuniu com o Presidente russo Vladimir Putin, um encontro que classificou como produtivo. É também sabido que não existe neste momento consenso entre a Rússia e os EUA em relação à situação na Síria, sendo que Guterres classificou o conflito como um “cancro” à escala global que tem um “impacto extremamente negativo para a estabilidade regional”.
Sobre o tema, o novo secretário-geral da ONU afirmou ainda que se fosse sírio, sentiria uma “profunda revolta” em relação à ONU pelo sofrimento que o braço de ferro entre rebeldes e forças governamentais tem causado na população.
Guterres acredita que as soluções têm de ser criadas pelo Conselho de Segurança, enquanto o papel do líder é administrar recursos. “Não haverá verdadeiramente uma reforma da ONU se não for possível reformar o Conselho de Segurança para ser mais adaptado ao mundo de hoje, mas é difícil haver condições políticas para tal”.
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