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Costa: “As minhas origens permitiram criar empatia com autoridades indianas”

O primeiro-ministro fez um balanço positivo da visita oficial à Índia e convidou o homólogo indiano para vir a Portugal.
12 Janeiro 2017, 15h36

António Costa desvalorizou a subida dos juros da dívida pública portuguesa e afirmou que o leilão de quarta-feira teve “condições razoáveis”, face à conjuntura atual. No fim da visita oficial à Índia, o primeiro-ministro fez um balanço da viagem e falou aos jornalistas sobre a emissão de obrigações do Tesouro. Sobre a possibilidade de nacionalização do Novo Banco, António Costa não quis comentar.

Questionado sobre os juros da dívida pública estarem a atingir valores mais elevados nos últimos três anos, António Costa referiu que as condições foram razoáveis, tendo em conta a conjuntura, uma opinião partilhada por alguns analistas. A emissão de obrigações do Tesouro a 10 anos totalizou ontem três mil milhões de euros, a uma taxa de 4,227% em venda sindicada.

“O impacto que o leilão teve imediatamente nas taxas de juro foi o da sua redução. Penso que, conforme forem conhecidos os dados fundamentais da nossa economia e das nossas finanças, a evolução continuará positiva”, afirmou, depois de visitar a Sé Catedral e a Basílica de Bom Jesus da Velha Goa, na Índia, de acordo com a agência Lusa.

António Costa falou ainda das oportunidades de cooperação entre Portugal e a Índia. O primeiro-ministro acredita que as origens goesas facilitaram as conversações. “As minhas origens, claramente, permitiram criar uma empatia que permitiu elevar esta visita à Índia à natureza de Estado e criar uma relação especial com as autoridades indianas, que mostraram um grande interesse na cooperação”.

Acrescentou ainda que “não é por acaso” que é a primeira vez em 40 anos que um primeiro-ministro português visita Goa. “Tratou-se sobretudo de virar a página relativamente ao passado”, afirmou o líder do executivo, fazendo referência ao período colonial português. António Costa mostrou-se confiante de que o Governo indiano quer tornar Portugal uma plataforma na Europa, mas acredita que ainda há muito a fazer no que diz respeito à relação entre os dois países.

“Os nossos objetivos com esta visita passaram por uma vertente económica, abrindo portas a mais exportações e à atração de investimento, e por uma segunda vertente ao nível da cooperação científica e tecnológica. Acho que todos os contactos que tivemos, quer com autoridades políticas, quer nos fóruns empresariais, dão-nos boas perspetivas de que a porta ficou aberta e há disponibilidade para se utilizar essa porta”, disse.

Para aproveitar o clima entre Portugal e Índia e não deixar que “a visita não fique por aqui”, António Costa convidou o homólogo, Narendra Modi, para visitar Portugal. “Para podermos fazer o balanço do já realizado e lançar novas pistas para o futuro”, acrescentou o primeiro-ministro. O convite não tem data e não se sabe ainda se o primeiro-ministro indiano aceitou.


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