Foram necessárias 400 toneladas de betão para o artista urbano Vhils poder realizar um trabalho em relevos tridimensionais, sobre 49 painéis artísticos de oito metros e oito toneladas cada um, para a fachada do mais recente edifício do Centro de Inovação e Competitividade da GS1®Portugal – códigos de barras e demais standards globais.
Localizado no Campus do Lumiar, em Lisboa, e com projeto assinado pelo arquiteto Pedro Appleton do atelier Promontório, a nova casa da GS1 Portugal é, na opinião de João de Castro Guimarães, diretor executivo da GS1®Portugal (CODIPOR), a simbiose fundadora e intencional entre Standards, Arte e Tecnologia.
“Quisemos trazer para o nosso Centro o talento, irreverência, profundidade e consistência do trabalho artístico do Vhils, para ‘dar rosto’ àquilo que distingue a GS1 Portugal há mais de 30 anos: engenho, inovação, diversidade. Convém ainda sublinhar que a nossa nova Sede é também um centro interpretativo ‘vivo’ dos Standards GS1, inovador e interativo, e uma proposta única a nível global na Comunidade GS1 em serviço e inovação, algo que encontramos em apenas 1% das suas organizações-membro”, salienta o responsável.
Para Vhils, “a ideia passou por criar uma peça que, tal como a GS1, se codifica e descodifica, uma peça que a cada minuto do dia se altera e é única”. Também o arquiteto pretendeu colar a obra de Vhils ao próprio edifício, através de uma inovadora tecnologia de painéis pré-fabricados, para construir um mural que se vai compondo e decompondo à passagem pelo edifício.
“O edifício tem essa dualidade: por um lado, está encerrado, mostrando uma história quase de códigos de barras, porém, à medida que o circundamos, vai-se perdendo esse alcance pictórico da obra e vai-se tornando cada vez mais edifício, mais arquitetura. Em determinado sentido, torna-se até transparente, relacionando-se plenamente com o paisagismo existente e consolidado do parque tecnológico. Em suma, a obra do Vhils e o edifício acomodam-se um ao outro”, salienta Pedro Appleton.
Um edifício renovado e eficiente
João de Castro Guimarães salienta ainda o facto de este projeto ter envolvido a reconversão total do edifício. Das demolições de fundo à construção de três pisos, incluindo uma fachada inovadora e um projeto de arquitetura, trata-se da concretização de um sonho antigo: construir uma casa para a comunidade GS1 e para todos os interessados nos temas da eficiência, colaboração, segurança e sustentabilidade dos negócios.
Quanto às inovações presentes neste projeto, o responsável da GS1 Portugal destaca o caso dos painéis de Vhils: “estamos a falar de uma tecnologia assente em relevos tridimensionais pensados pelo Vhils e gravados em esferovites, posteriormente betonadas, para criar estes inovadores painéis. No fundo, um processo tão experimental e único”.
Espaço expositivo com tecnologia inovadora
Contudo, no caso do espaço expositivo, verificou-se também uma componente tecnológica muito marcante e inovadora. “Adianto, aliás, que uma visita interativa e didática ao Centro permite mostrar ‘ao vivo e a cores’ os Standards GS1. O que são, para que servem e quais os benefícios para as diferentes cadeias de valor, do produtor ao consumidor final ou, em Linguagem GS1, ‘do prado ao prato’. Em 450 m2, temos um espaço de interação e aprendizagem para levar cada vez mais longe a linguagem global dos negócios. E, até ao momento, com uma boa apreciação dos visitantes”, explica.
A GS1 Portugal pretendia através deste projeto criar um espaço e edifício capaz de acolher uma equipa, projetos e valências multidisciplinares, para celebrar e promover os Standards e as boas práticas empresariais em Portugal; por outro, um espaço e edifício capaz de conciliar a componente tecnológica, associada à sua atividade, com uma arquitetura funcional, fluida e aberta, mas integrando ainda um elemento de arte disruptivo e pouco usual em espaços desta natureza. “Em acréscimo, e sendo esta a casa dos nossos associados, quisemos igualmente criar um ambiente acolhedor no seu interior e conferir-lhe uma certa noção de portugalidade, evidente na escolha da cortiça enquanto material de revestimento das paredes”, conclui o responsável.
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