Há dias assim: umas pessoas nascem outras morrem outras ainda nem uma coisa nem outra, mas nada de extraordinário verdadeiramente sucedeu num 27 de Fevereiro. Não há-de ser por isso, mas o certo é que o dia está dedicado às coisas mais extravagantes.
Desde logo, é o dia dos comedores de espadas, uma profissão (se é que é uma) muito pouco recomendável, principalmente para quem acha que tem alguma coisa de decente a dizer ao mundo. Mas a verdade é que a profissão surgiu há mais de quatro mil anos, na Índia, e era considerada – possivelmente por ser perigosa – apenas aberta às pessoas mais nobres.
Mas talvez ainda mais patusco ainda é o que se passa a 27 de Fevereiro no Brasil. É o dia do Agente Fiscal da Receita Federal. Uma pesquisa rápida permitiu compreender que ninguém sabe ao certo quem criou tão bizarro dia – e principalmente quem o foi o tipo bem-disposto que decidiu agregar o dia ao agente. Sucederia com certeza em todo o lado – ou pelo menos em muitos lados – mas o certo é que Brasil não parece ser o lugar certo para celebrar a profissão de fiscal da Receita Federal – que pode, entre outros atributos, concluir sobre a existência de fraude fiscal, fuga ao fisco e pró aí adiante.
O que também não é claro é se o actual governo de Michel Temer deixou ou não que se cumprisse a tradição da comemoração do dia do fiscal. É que, segundo a imprensa brasileira, o governo e os partidos que o apoiam no parlamento e no senado têm demonstrado larga preocupação em acabar com as instâncias que podem controlar a fraude, o branqueamento de capitais e por aí adiante. Aliás, os juízes continuam em pé de guerra com o governo por causa das decisões que, sobre matéria de apuramento de responsabilidades no caso de corrupção que envolve a Petrobrás.
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