O banqueiro milionário na sombra. É assim que a revista Forbes descreve John Grayken, o fundador do Lone Star Funds, o mais bem posicionado para comprar o Novo Banco. É o segundo gestor mais rico do mundo no setor de ‘private equity’, atrás de Stephen Schwarzman, o fundador da Blackstone, proprietária e gestora de vários centros comerciais e ‘retail parks’ em Portugal.
Na banca portuguesa, Grayken é o que tem mais razões para sorrir. O Banco de Portugal entregou as negociações exclusivas com o Lone Star para a compra do Novo Banco às Finanças.
O fundo pretende ficar com entre 70% a 75% do banco de transição que nasceu da medida de Resolução aplicada ao BES em 2014. O Ministério das Finanças está agora a desencadear negociações com Bruxelas (com a DG Comp – Direção da Concorrência) para definir que entidade pública pode ficar com essa participação de entre 25% e 30% do Novo Banco. “Continuamos empenhados em chegar a um acordo final com o Banco de Portugal para apoiar o Novo Banco beneficiando, no longo prazo, os seus clientes, colaboradores, credores e a economia portuguesa em geral”, disse Olivier Brahin, presidente do Lone Star para a Europa, num comunicado enviado recentemente às redações.
Fundado em 1995, o Lone Star gere ativos globais superiores a 70 mil milhões de dólares (66,2 mil milhões de euros), que representam um retorno anual na ordem dos 20%). Começou por investir nos EUA e Canadá, passando depois para o continente asiático e Europa. Entre as principais áreas de investimento encontra-se a banca, o imobiliário e outros ativos com potencial de valorização.
Este fundo já realizou vários negócios em Portugal. Em 2015 adquiriu a concessão da Marina de Vilamoura e comprou ao grupo espanhol Chamartín quatro centros comerciais Dolce Vita que se encontravam em situação de insolvência: Lisboa, Porto, Vila Real e Coimbra. Mais tarde, três dos centros acabaram por ser vendidos aos alemães do Deutsche Bank.
Grayken, que fundou o Lone Star, conseguiu o primeiro emprego na divisão imobiliária do banco de investimentos Morgan Stanley. É descrito como um investidor implacável e tem como estratégia comprar a preço de saldo e vender bem. “Fazemos o nosso lucro na compra”, explicou André Collin, o presidente da Lone Star, citado pela Forbes, para descrever a missão do fundo privado.
Stephen Schwarzman, fundador da Blackstone, gere um império com 2.200 empregados nos 20 escritórios espalhados por vários continentes. O portefólio de companhias onde está representada (desde o setor financeiro ao imobiliário) conta com 514 mil colaboradores, gerindo ativos avaliados em 367 mil milhões de dólares (347,6 mil milhões de euros), com um retorno anual de 17%, de acordo com dados de 2016.
Rei de Wall Street
Em Portugal, a Blackstone é proprietária e gestora de vários centros comerciais e ‘retail park’: Almada Forum, Forum Montijo, Forum Sintra, Forum Algarve, Fórum Coimbra, Forum Viseu, Forum Madeira, Armazéns do Chiado, Santarém Retail Park, Braga Retail Center, Aveiro Retail Park, Alverca Park, Sintra Retail Park, Lima Retail Park.
Stephen Schwarzman começou a carreira profissional no Lehman Brothers e ascendeu ao cargo de diretor com apenas 31 anos. Com um MBA na Harvard Business School especializou-se em fusões e aquisições.
Em 2007, pouco antes do início da crise financeira nos Estados Unidos, comemorou os 60 anos com uma festa inesquecível ao som de um concerto de Rod Stewart. Segundo a imprensa da época terá pago um milhão de dólares para ter o cantor em exclusivo na festa de aniversário.
Na festa marcaram presença os presidentes dos maiores bancos de investimento do mundo, também eles no auge da carreira.
O tempo passou, muitos investidores e banqueiros cairam por terra, mas o fundador da Blackstone manteve-se como um dos homens mais poderosos de Wall Street, resistindo à crise financeira.
Ainda há quem o considere “Rei de Wall Sreet” e o fundo Blackstone como “a força imparável de Wall Street”. A aversão a perder dinheiro e a sorte são duas características que sempre o acompanharam desde que começou no setor financeiro.
O “short seller killer”
Já o fundo Apollo Global Management começou por adquirir a seguradora Tranquilidade, que pertencia ao BES, no arranque de 2015.
No ano seguinte chegou a acordo para a compra da Açoreana Seguros, companhia de seguros de que o Banif era accionista.
Fundada em 1990, a Apollo especializou-se em transações financeiras e ativos com potencial de valorização em áreas como a banca, indústria e imobiliário.
Gere ativos no valor de 192 mil milhões de dólares (181,6 mil milhões de euros) e conta com escritórios em Nova Iorque, Luxemburgo ou Singapura. Foi ainda um dos três finalistas na corrida pelo Novo Banco, na primeira tentativa de venda, que foi inconclusiva.
Leon Black, fundadora da Apollo, é conhecido nos meios financeiros norte-americanos por “short seller killer”, título que ganhou em 2016. Ou seja, a estratégia passa por comprar bem e vender no curto prazo com lucro.
Entre os que lhe são mais próximos, o gestor gosta de dizer: “para tudo há uma época. É quase bíblico. Há um tempo para colher e há um tempo para semear.”
É com esta filosofia que a Apollo pretende atingir nos próximos anos ativos que totalizem 300 mil milhões de dólares. Para ajudar a chegar a este valor Black, o ‘short seller killer’, tem Portugal na mira.
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