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Israel, Grécia e Chipre promoveram exercício naval no Mediterrâneo

A iniciativa – que desagradará à Turquia- insere-se, segundo os países envolvidos, numa estratégia de consolidação das relações militares entre todos. A França também esteve presente. Em resposta, Ancara ensaia uma aproximação ao Egipto.
12 Março 2021, 18h00

Fontes militares israelitas disseram esta sexta-feira, citadas pela comunicação social do país, que realizaram um exercício naval conjunto com a Grécia e Chipre, um sinal da crescente cooperação com os dois países que, como o Estado judeu, observam cada vez mais a Turquia como um rival no Mar Mediterrâneo. O exercício conjunto, que foi liderado por Israel e também incluiu a França, cobriu “procedimentos anti-submarinos, cenários de busca e resgate e um cenário simulando de batalha entre navios”.

“Na semana passada, a Marinha liderou um exercício em grande escala no qual implementou capacidades de guerra subaquática, busca e resgate, escolta de comboio e combate de superfície”, disse o contra-almirante Eyal Harel, chefe das operações navais daquela força israelita. “Os exercícios são muito importantes para fortalecer a conexão da Marinha com frotas estrangeiras que partilham interesses comuns”, acrescentou.

Israel, Grécia e Chipre tomaram uma série de medidas nos últimos meses para consolidares ligações, incluindo planos avançados para construir um cabo elétrico submarino e um gasoduto submarino de 1.900 quilómetros. Os ministros da Defesa dos três países reuniram em novembro passado e concordaram em aumentar a cooperação militar.

A presença da França durante os exercícios demonstra que o governo de Emmanuel Macron continua a ter grandes reservas em relação ao regime de Erdogan – com quem se tem desentendido nas mais diversas geografias.

A ‘parte fraca’ desta aproximação é a Turquia, que pretende ser uma potência regional com preponderância sobre a concorrência e que mantém um desacordo crescente com a Grécia em torno da exploração de recursos naturais no Mediterrâneo Ocidental – o que tem colocado o regime liderado por Recep Erdogan em confronto com a União Europeia. As declarações de ambos os lados segundo as quais o conflito deve ser dirimido com negociações não tem surtido qualquer efeito prático.

Sobrevive ainda a questão de Chipre – ilha dividida entre Chipre, país da União e a República Turca de Chipre do Norte – um problema internacional cuja solução também não se vislumbra.

Recorde-se que Israel e a Turquia já foram aliados próximos, mas, em 2010, dez cidadãos turcos foram mortos num confronto com forças israelitas quando uma flotilha turca tentou furar o bloqueio egípcio-israelita à Faixa de Gaza para fazer chegar auxílio – o que deitou por terra o entendimento entre ambos. Recep Erdogan nunca fez nada para fazer regressar o entendimento e Israel optou por responder da mesma forma.

Os dois países chegaram a tentar um acordo de reconciliação mediado pelos Estados Unidos em 2016, mas esses esforços esbarraram contra a decisão norte-americana de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, facto que o regime turco repudiou por liminarmente.

Israel acusa a Turquia de acolher vários líderes do Hamas – grupo palestiniano que Tela Vive considera terrorista – sendo certo que Erdogan reuniu com o líder máximo do grupo, Ismail Haniyeh, em dezembro de 2019.

Para tentar rodear o problema e impedir-se de permanecer sozinha na região face ao avolumar da força dos seus oponentes, a Turquia está a testar a possibilidade de uma aproximação ao Egipto. O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Mevlüt Çavusoglu, anunciou esta sexta-feira que o seu país e o Egipto retomaram os contatos após anos de rivalidade: “Temos mantido contatos ao nível de organizações da inteligência e do Ministério das Relações Exteriores. Estamos a conduzir negociações e a seguir um roteiro definido”, disse o chefe da diplomacia turca.


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