[weglot_switcher]

OPEP prolonga cortes na produção de petróleo por mais nove meses

O anúncio sobre a extensão foi feito pelo ministro do Petróleo do Irão, Bijan Namdar Zanganeh, que está a participar na reunião da OPEP. O mercado petrolífero ficou, no entanto, desapontado, com os preços a registarem quedas de perto de 4%.
Sergei Karpukhin/Reuters
25 Maio 2017, 18h12

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e outros países produtores acordaram prolongar o acordo de cortes na produção de petróleo por mais nove meses, esta quinta-feira numa reunião em Viena. Tal como se previa, o prazo para o fim dos cortes passa assim para março do próximo ano, depois de a anterior medida ter falhado em equilibrar o excesso de oferta de forma a sustentar uma subida gradual dos preços.

O anúncio sobre a extensão foi feito pelo ministro do Petróleo do Irão, Bijan Namdar Zanganeh, que está a participar na reunião da OPEP. Não deverão haver novos países a alinhar no acordo, que começou com 24 países, incluindo 14 membros do cartel e outros 10 países produtores, de acordo com a agência Bloomberg.

A Nigéria e a Líbia, que estão na OPEP, vão manter-se de fora e o Irão deverá aumentar a quota de produção. A Guiné-Equatorial entra para o cartel, mas não vai influenciar a produção porque já estava incluída no acordo como um dos países de fora da OPEP.

O ministro da Energia da Arábia Saudita, Khalid Al-Falih, referiu também que os cortes estão a resultar e que o mercado se está a ajustar. O saudita espera que os inventários caiam no terceiro trimestre do ano e que cheguem, no início de 2018, aos níveis médios mais baixos em cinco anos. Apesar do aumento da produção de petróleo de xisto nos EUA, Al-Falih acredita que a extensão do acordo vai atingir os objetivos.

A meta da OPEP com o acordo inicial de uma diminuição, de 1,2 milhões de barris por dia entre janeiro e junho, era de diminuir o excedente face à procura mundial e causar uma subida gradual dos preços. No entanto, as pressões do aumento dos inventários mundiais, do crescimento do petróleo de xisto nos EUA e de uma procura abaixo do esperado foram obstáculos.

Assim, o mercado já antecipava a decisão, o que poderá ter atenuado os efeitos do anúncio, segundo o analista de commodities da HSH Nordbank AG, Jan Edelmann. “O mercado parece estar um pouco decepcionado, pois não há ‘algo extra'”, explicou, em declarações à Bloomberg.

O preço do Brent negociado em Londres cai 3,93% para 51,84 dólares por barril, enquanto o crude WTI em Nova Iorque tomba 4,28% para os 49,16 dólares por barril.

Os acordos iniciais assinados em novembro e dezembro foram os primeiros do género em 15 anos. Os produtores parecem determinados em não desistir, apesar dos resultados pouco entusiasmantes, com o ministro saudita a garantir: “já dissemos que vamos fazer tudo o que seja necessário”.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.