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Quando Tancos foi palco de um milagre

O general Norton de Matos usou a expressão “Milagre de Tancos” por ter sido possível transformar esta base militar numa estrutura capaz de treinar milhares de soldados.
6 Julho 2017, 07h20

O “Milagre de Tancos” foi a improvisação através do qual a primeira República preparou, no Polígono Militar de Tancos, entre abril e julho de 1916, o Corpo Expedicionário Português (CEP), que participou na Primeira Guerra Mundial, na Flandres.

A preparação do CEP, com mais de 20 mil soldados, que decorreu em Tancos, de abril a julho de 1916, fez-se sob o comando do Ministro da Guerra, General Norton de Matos. Foi o próprio Norton de Matos que usou a expressão “Milagre de Tancos” quando descreveu a forma eficaz como se transformaram civis em soldados para um conflito de grande dimensão.

O Polígono Militar de Tancos foi o espaço escolhido, devido à sua proximidade com o Tejo e com o Zêzere, vantajoso em termos de fornecimento de água. O material para as tendas veio de Espanha, os camiões dos Estados Unidos, e a Grã-Bretanha forneceu armas e rações de combate.

O preço político e social desse “milagre” marcaria profundamente as primeiras décadas do século XX em Portugal. No final da guerra Portugal estava financeiramente esgotado. Apesar de ser um dos países vencedores e de desfilar com os Aliados na festa da vitória debaixo do Arco do Triunfo o país estava devastado a nível económico e politicamente dividido.


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