[weglot_switcher]

Bancos querem manter posição minoritária na SIBS

O Deutsche Bank vai avançar em breve com o contacto com potenciais interessados. Na corrida está o Fundo Advent pela mão de António Pires de Lima. A SIBS teve resultados de 45,4 milhões em 2016.
Rafael Marchante/Reuters
17 Julho 2017, 06h20

Os bancos que são hoje donos da SIBS, empresa que faz a gestão da rede multibanco, querem manter uma posição minoritária na empresa depois da venda que está em curso. Já estará definido que o desenho final da operação de venda da SIBS, em curso, será a alienação de uma posição maioritária, mantendo os bancos uma participação minoritária.

O Deutsche Bank está a concluir o Confidential Information Memorandum e deve começar em breve a contactar potenciais investidores, revelou fonte ao Jornal Económico.

Mas o processo de recepção das propostas não deverá avançar antes de setembro, disse fonte ligada à SIBS. A SIBS espera ter a operação concluída até ao final do ano.

Os acionistas da SIBS são, por ordem decrescente, o Grupo Caixa Geral de Depósitos; o Grupo BCP; o Grupo Santander Totta; e o Grupo BPI, e são eles que estão interessados em vender o controlo da SIBS.

O que faz sentido, até porque a rede de sistemas de pagamentos é hoje internacional, é que o comprador seja um operador internacional. Isso mesmo chegou a admitir Vítor Bento, Chairman da SIBS.

Num encontro com jornalistas em Lisboa, Vítor Bento revelou que o objetivo da SIBS é encontrar um parceiro internacional que traga a capacidade de investimento necessária para iniciar uma nova fase de expansão internacional, colocando a empresa ao nível dos seus pares europeus.

A empresa liderada agora por Madalena Tomé tem estado a receber manifestações de interesse de vários players internacionais e de fundos de private equity.

Alguns nomes têm vindo a público como o fundo britânico Bain Capital e a gestora de sistemas de pagamento espanhola Redsys – que gere o “multibanco” espanhol, avançou o Jornal Económico. A Redsys, detida pelo Santander e pelo CaixaBank, entre outros, é a congénere espanhola da SIBS. Já o Bain Capital tem vindo a adquirir várias empresas europeias do setor. Nas empresas desta área a Bain tem entrado em conjunto com o fundo Advent International, que é representado em Portugal por António Pires de Lima.

Mas há mais interessados na empresa que faz a gestão da rede Multibanco. “Todos os fundos de private equity têm interesse em vir a jogo”, diz fonte ligada ao processo. Contactada a SIBS diz que “os acionistas da SIBS decidiram avançar com a procura de um parceiro estratégico. Neste momento mantém-se a abertura quanto ao tipo de parceiro possível, seja ele um player estabelecido na indústria ou um investidor financeiro, desde que a sua natureza esteja alinhada com a visão do negócio. Não há nenhuma urgência no processo. Entretanto, a empresa prosseguirá normalmente a sua estratégia e a sua atividade, e a gestão executiva, participando naturalmente no referido processo”.

Entretanto a SIBS avançou para a aquisição da Redunicre, que tem a maior rede de aceitação de cartões do país. O racional da operação é fazer a integração da cadeia de valor, mas o processo tem esbarrado na Autoridade da Concorrência nacional. “O eventual encerramento do mercado de acquiring pode traduzir-se em taxas mais elevadas cobradas aos comerciantes, levando-os a desistirem de disponibilizar a aceitação de cartões em TPA [terminais de pagamento automático], em prejuízo dos consumidores”, disse em comunicado no fim do ano a Autoridade da Concorrência para justificar a decisão de avançar para investigação aprofundada. O processo de decisão estará para breve. O Jornal Económico contactou a entidade reguladora, mas não obteve resposta.

O Jornal de Negócios avançou em maio que a decisão da Concorrência iria ser negativa, por a integração da Redunicre na SIBS distorcer a concorrência.

De qualquer maneira esta operação não põe em causa o negócio de venda da SIBS, porque esta será vendida com o conteúdo que tiver na altura da venda. Se a SIBS comprar a Redunicre isso terá reflexos no preço de venda.

SIBS com subida de lucros à custa da VISA em 2016

O resultado líquido da SIBS em 2016 foi de 45,398 milhões de euros, o que compara com 20,426 milhões em 2015. Mas analisando os números vê-se que têm 42,442 milhões de resultados extraordinários em 2016 com a venda da Visa.

O Jornal Económico questionou a SIBS que explicou os números de 2016. “A SIBS teve o melhor desempenho de sempre, com um resultado líquido final de 45 milhões de euros, a que correspondeu um resultado de 62,1 milhões de euros antes de impostos, mais 165% que em 2015”, diz a empresa liderada por Madalena Tomé. Para os resultados contribuíram os resultados operacionais de 18,3 milhões e a operação extraordinária da venda da Visa, que permitiu um encaixe de 42 milhões de euros.

A SIBS explica que “os resultados operacionais de 18,3 milhões, em linha com anos anteriores, foram ainda assim impactados por dois fatores referentes a amortizações e imparidades não recorrentes. Deduzidos destes dois fatores, o EBITDA corrente em 2016 foi de 38,1 milhões, mais 12% que os 33,9 milhões de 2015”.

Estes fatores foram devidos a “ao aumento verificado em imparidades com clientes, decorrente do agravamento do risco político e económico, ocorrido no ano de 2016, em alguns mercados internacionais onde o grupo desenvolve a sua atividade, e ao aumento na rubrica de amortizações, resultante, essencialmente, da continuidade do significativo investimento da empresa no upgrade das suas plataformas tecnológicas”. Uma das rubricas da receita em queda foi precisamente no negócio internacional de 57%.

A empresa adianta que 2016 “foi um ano histórico para a SIBS, com um volume de processamento de transações em torno dos 3 mil milhões e um valor de vendas de produtos de serviços de 167 milhões de euros, posicionando-a como uma das empresas com maior taxa de crescimento em vendas entre os principais operadores europeus”.

“Em simultâneo, a SIBS continuou a investir no upgrade das suas plataformas tecnológicas, tornando-se no processador europeu com um dos sistemas mais modernos e resilientes”, conclui a SIBS.

Artigo publicado na edição digital do Jornal Económico. Assine aqui para ter acesso aos nossos conteúdos em primeira mão.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.