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22.000 pontos do Dow Jones: como é que chegámos aqui?

O índice industrial norte-americano tem 120 anos, conta com apenas 30 empresas e atinge novos recordes consecutivos. Em apenas cinco meses, o Dow Jones passou dos 21.000 para os 22.000 pontos, um salto que é tudo menos linear.
Brendan McDermid/Reuters
6 Agosto 2017, 12h00

O grande marco eram os 20.000 (atingidos em janeiro), mas esses já lá vão, com o Dow Jones a continuar a somar pontos e a estabelecer novos recordes. Esta semana, o índice acionista norte-americano superou os 22.000 pontos, impulsionado por uma limitada elite de empresas.

Os mil pontos que separaram março de agosto foram percorridos principalmente pela empresa de fabrico de aviões Boeing, a multi-nacional de fast food McDonald’s e a seguradora de saúde UnitedHealth. As três empresas, que apresentaram lucros trimestrais robustos, foram responsáveis por 700 desses mil pontos no período em questão.

No entanto, o sprint final foi da responsabilidade da Apple. A tecnológica levou o Dow Jones a somar os 52 pontos necessários para o marco, depois de ter apresentado contas e disparado mais de 6% na bolsa. Por outro lado, entre as 30 empresas que compõe o índice, as piores performances foram do banco Goldman Sachs e da informática IBM.

Além dos resultados empresariais, a retoma da economia norte-americana também tem impulsionado o índice. Apesar de o entusiasmo inicial em relação às promessas de Donald Trump ter atenuado com as dificuldades do presidente em cumprir, os investidores parecem continuar confiantes na aceleração da economia e no fortalecimento do mercado de trabalho.

Outro fator que tem ajudado as ações dos EUA de forma generalizada é a confiança a nível global que, caso haja problemas, os bancos centrais estão prontos a intervir, como aconteceu depois da crise que começou em 2008.

Os fatores parecem alinhar-se para o Dow Jones continuar a subir, mas um salto de mil pontos tem mudado de significado desde que o índice foi criado por Charles Jones, há 120 anos. Por exemplo, quando no início de 1999, o Dow Jones ultrapassou pela primeira vez os 11.000 pontos, sendo que os mil pontos desde os 10.00 até aí significaram uma valorização de 10%. Dos 21.000 aos 22.000, a subida foi de apenas 4,8%.

Isto acontece devido ao funcionamento do índice. Ao contrário do financeiro S&P 500, os pontos do Dow Jones baseiam-se no preço das ações em dólares, em vez do preço relativo das empresas. Ou seja, uma subida de 1% nas ações de empresas como a Boeing, que custam cerca de 200 dólares, é muito mais significativo que a valorização de ações que valem 70 dólares como as da Microsoft ou 25 dólares como as da General Eletric.


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