O preço do petróleo disparou esta segunda-feira, dia em que os curdos iraquianos estão votar num referendo histórico sobre a independência do território do Curdistão, a norte do Iraque. A votação está a ser encarada com apreensão já que o Governo iraquiano e os países vizinhos manifestaram-se contra a criação de um Estado independente.
Entre os vizinhos que ameaçaram com represálias está a Turquia, país onde habita a maioria da população curda. Os receios que a iniciativa do referendo se alastre ao território turco, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan ameaçou parar de importar petróleo do Curdistão.
“É bastante claro que os curdos vão votar pela independência e vamos ter mais um hot spot geopolítico no Médio Oriente, que ameaça significativamente a distribuição de petróleo”, explicou o partner do hedge fund nova-iorquino Again Capital LLC, John Kilduff, em entrevista à agência Bloomberg.
A incerteza em relação aos resultados do referendo levaram a um disparo do preço do petróleo esta segunda-feira. O barril de Brent negociado em Londres valorizou 3,5% para 58,37 dólares, o nível mais elevado desde julho de 2015. Já o preço do crude WTI subiu 2,9% para 52,13 dólares por barril, para máximos de quatro meses.
Além do referendo, esta segunda-feira ficou também marcada pela divulgação de dados pela Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP). O cartel anunciou que os diferentes países cumpriram, no mês passado, a 100% os cortes de produção acordados, com vista a diminuir a produção e diminuir o desequilíbrio entre procura e oferta no mercado petrolífero.
A OPEP reviu também em alta o outlook para a procura global e deixou aberta a porta para uma extensão dos cortes de produção na reunião marcada para novembro. “A cooperação e esforço reforçado da OPEP está a registar-se no mercado”, acrescentou Kilduff.
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