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Empresas apelam a “reflexão séria” para ultrapassarem dificuldades de financiamento

A Associação Empresarial de Portugal pede reflexão “séria” para ultrapassar bloqueios ao financiamento do setor empresarial. Inquérito apura as dificuldades de acesso ao crédito bancário, sentidas com maior intensidade pelas micro e pequenas empresas.
26 Setembro 2017, 15h33

A Associação Empresarial de Portugal (AEP) realizou um inquérito junto das empresas suas associadas para apurar o grau de dificuldade no acesso ao crédito bancário e os resultados confirmam a existência de obstáculos para financiar a atividade e o investimento das empresas. AEP conclui que dificuldades são sentidas por todas as empresas, apesar de se fazerem sentir com maior intensidade nas micro e pequenas empresas. Comissões e outros encargos são como os aspetos mais negativos no acesso ao crédito, seguindo-se as garantias exigidas.

“No inquérito, que contou com uma amostra significativa de empresas associadas da AEP, as dificuldades são sentidas por todas as empresas, apesar de se fazerem sentir com maior intensidade nas micro e pequenas empresas”, avança a AEP em comunicado.

Segundo a associação, liderada por Paulo Nunes de Almeida, a dificuldade em obter crédito bancário também se verifica nas empresas exportadoras, apesar de serem as não exportadoras a sentirem maiores bloqueios.

Crédito: comissões e outros encargos são aspetos mais negativos 

Os resultados do inquérito apontam as “comissões e outros encargos” como os aspetos mais negativos no acesso ao crédito, seguindo-se as “garantias exigidas”. A avaliação, conclui a AEP, é particularmente negativa nas empresas de menor dimensão, embora no caso das “comissões e outros encargos” seja um constrangimento também sentido nas empresas de maior dimensão.

“Para financiar a atividade e o investimento, as empresas indicam o autofinanciamento (recurso a capitais próprios e empréstimos de sócios) como sendo a principal alternativa ao crédito bancário, seguindo-se o crédito de fornecedores e os fundos comunitários. Nas empresas de grande dimensão também são apontadas outras alternativas como o mercado de capitais e o papel comercial”, explica a associação.

Para a AEP, estes resultados merecem uma “reflexão séria”, que permita ultrapassar o problema do financiamento do setor empresarial privado e não seja “uma ameaça” ao bom funcionamento da atividade empresarial.

A AEP reconhece ainda que a aceleração do crescimento económico, a descida do défice público e a decisão da agência Standard & Poor’s em recolocar Portugal com notação de investimento são fatores positivos, apesar dos dados oficiais mostrarem que as empresas nacionais continuam a enfrentar no contexto europeu condições de financiamento mais desfavoráveis.E nota que os empréstimos às famílias para “consumo e outros fins” têm mostrado uma aceleração por oposição à queda observada nos empréstimos às sociedades não financeiras, também preocupam a AEP.


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