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Quinta da Boa Esperança: A Oeste, tudo de novo

Foi daqui, da Zibreira, uma aldeola ao pé de Torres Vedras, a cerca de 20 quilómetros retos até ao Oceano Atlântico, que partiu Cristóvão Ferreira, um dos missionários portugueses que no século XVI foram divulgar o Cristianismo em terras do Japão. Uma personagem imortalizada pela obra literária “Silêncio”, do escritor nipónico Shusaku Endo, que inspirou mais recentemente uma adaptação à tela por um dos realizadores de cinema mais aclamados do mundo, Martin Scorcese.
15 Dezembro 2017, 11h30

E faz sentido toda esta temática em torno da epopeia lusitana dos Descobrimentos, porque nestas terras, na dita Zibreira, está a vingar uma nova empresa, de gente nova e desafiante. Antes, dava pelo nome de Antigo Casal de João Dias, com mais de um século de existência. Desde o final de 2014, estes terrenos vitivinícolas com uma extensão de cerca de 16 hectares, nem todos para produção neste momento, foram adquiridos por Artur e Eva.

Hoje em dia, a propriedade trabalha com vinhas novas e vinhas velhas, numa área total de oito hectares de vinha em produção, nove hectares de vinha plantados. A curto prazo, prevê-se a plantação de mais 1,5 hectares.

A localização da Quinta da Boa Esperança, numa encosta com direção nascente/poente, apresenta-se com uma das melhores exposições solares possíveis para a maturação das castas tintas. Os solos argilo-calcários, beneficiados pela maresia oceânica e pelas famosas brumas do Oeste, conferem às castas brancas uma salinidade, mineralidade e frescura bastante marcadas. A empresa responde como Casa Agrícola da Gama (apelido de Artur) e as referências dos brancos, tintos e rosés produzidos em crescendo de quantidade e de qualidade apresentam-se com a marca Quinta da Boa Esperança.

Dias, Gama, Boa Esperança são apelidos que reclamam excelentes augúrios para um novo ‘descobrimento’ destes vinhos frescos, equilibrados, estruturados e desafiantes. Tudo isto a acrescentar à épica (e imortalizada) história do missionário Cristóvão Ferreira.

Desta vez, a tentativa é converter os amantes do vinho ao ‘Quinta da Boa Esperança’ Touriga Nacional, tinto de 2015. Não se pode dizer que seja tarefa árdua. É um tinto carregado na cor, granada, muito intensa. No aroma, redondo, suave, com nuances cítricas e de flores. Rico em taninos, para uma degustação longa e harmoniosa. E este é apenas um entre uma dezena de bons vinhos que a Quinta da Boa Esperança nos propõe ‘descobrir’. Sem tormentas de qualquer casta…


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