O primeiro-ministro apresentou as suas “profundas condolências” à família, amigos e ao Partido Socialista pela morte do antigo Presidente da República, Jorge Sampaio.
Em declarações aos jornalistas, no Palácio de São Bento, esta sexta-feira, António Costa afirmou que Jorge Sampaio “exerceu as suas funções políticas com o mesmo sentido cívico, de militância, de convicção com que em 1962 assumiu a liderança do Movimento Estudantil de Combate à Ditadura e nos últimos anos, já não tendo nenhuma função oficial, assumiu o encargo que lançar uma grande plataforma internacional para que os refugiados sírios pudessem prosseguir com os seus estudos universitário e conclui-los com sucesso”.
Sem avançar com datas sobre o dia do velório ou do funeral, António Costa anunciou que será decretado três dia de luto nacional por respeito ao homem que através “dos seus encargos políticos”, “exerceu a sua cidadania”.
O primeiro-ministro aproveitou ainda para relembrar o percurso político do antigo Chefe de Estado, referindo ter sido um deputado apaixonado e líder parlamentar quando a democracia já estava consolidada”, acrescentando ainda que foi eleito e reeleito para a Presidência do país “honrando o lema com que concorreu: um por todo e todos por um”.
“Curvamo-nos todos na memória de alguém que foi um exemplo, lutador pela liberdade, pela democracia e que tanto, tanto prestigiou, com a sua verticalidade ética, a nossa vida política”, finalizou.
Jorge Sampaio morreu esta sexta-feira, 10 de setembro, aos 81 anos. Foi Presidente da República durante dois mandatos, entre 1996 e 2006. Em 1989 foi eleito líder do Partido Socialista e na mesma altura foi eleito presidente da Câmara de Lisboa, tendo sido reeleito em 1993. Após a passagem pela Presidência da República, foi nomeado em 2006 pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas enviado especial para a Luta contra a Tuberculose e entre 2007 e 2013 foi alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações, segundo a “Lusa”.
Atualmente presidia à Plataforma Global para os Estudantes Sírios, fundada por si em 2013 com o objetivo de contribuir para dar resposta à emergência académica que o conflito na Síria criara, deixando milhares de jovens para trás sem acesso à educação.
Jorge Fernando Branco de Sampaio desempenhou, ao logo da sua vida, os mais altos cargos políticos no país. Iniciou o seu percurso, ainda estudante, como um dos protagonistas, na Universidade de Lisboa, da crise académica do princípio dos anos 60, que gerou um longo e generalizado movimento de contestação estudantil ao Estado Novo, até ao 25 de Abril de 1974, recorda a “Lusa”.
Homem de esquerda e advogado de formação, defendeu casos célebres, como a defesa dos réus do assalto ao Quartel de Beja, o caso da `Capela do Rato’, em que foram presas dezenas de pessoas que protestaram contra a guerra colonial. Depois do 25 de Abril de 1974, militou em formações de esquerda, como o MES, onde se cruzou com Ferro Rodrigues, ex-líder do PS atual presidente do parlamento, e só aderiu ao partido fundado por Mário Soares em 1978, destaca a agência noticiosa. Mais tarde, foi secretário-geral do PS (1989-1992), presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1990-1995) e Presidente da República (1996 e 2006).
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