O presidente executivo do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, disse que a “adesão à Linha Retomar é baixíssima e o valor é insignificante”.
O Banco Português de Fomento (BPF) anunciou a 24 de setembro a Linha de Apoio à Recuperação Económica – Retomar, com dotação de 1.000 milhões de euros, para a emissão de garantias, destinando-se aos créditos que saem de moratória nos sectores mais afetados pela pandemia.
O Governo criou esta linha para novas operações de crédito e inclui uma garantia autónoma à primeira solicitação prestada pelas sociedades de garantia mútua (SGM) até 25% das operações elegíveis a serem reestruturadas e dos “eventuais empréstimos” para liquidez adicional, bem como até 80% dos créditos utilizados para refinanciar operações elegíveis. Por sua vez, as garantias emitidas pelas SGM têm uma contragarantia de 100% do Fundo de Contragarantia Mútuo (FCG), que é gerido pelo BPF.
Os bancos criticaram as condições e requisitos da Linha Retomar, considerando-a pouco útil, e os números parecem estar a confirmar essa convicção da banca.
Também as empresas, através da CIP, fizeram críticas à linha. António Saraiva disse que a adesão “é como passar o buraco da agulha”.
Moratórias do BPI não trouxeram degradação da carteira de NPL, mas impacto ainda se vai fazer sentir
A 30 de setembro, 97,5% das moratórias de crédito atribuídas pelo BPI estavam em situação regular (crédito classificado em stage 1 e stage 2).
“O BPI manteve a qualidade de crédito e o rácio de NPL, mesmo após o fim das moratórias APB no final de junho de 2021”, diz o banco.
No final de setembro terminaram moratórias correspondentes a 3,6 mil milhões de crédito (dos quais, 1,4 mil milhões de euros de crédito à habitação). “Face ao comportamento até à data desses créditos, não é expectável uma degradação da qualidade de carteira de crédito do BPI”, garante o banco.
Permanecem ainda ativas moratórias correspondentes a 117 milhões de euros de crédito abrangidas pela prorrogação suplementar da suspensão do reembolso de capital até 31 de dezembro de 2021 (cerca de metade de crédito a empresas). Estas são adesões que tiveram lugar entre janeiro e março e que permitiram aos clientes beneficiarem da medida por mais nove meses no máximo, com as moratórias a terminarem agora entre outubro e dezembro.
“Face ao comportamento até à data dos créditos com moratórias, terminadas em setembro de 2021, não é expectável uma degradação da qualidade de carteira de crédito do BPI”, diz o banco.
“Os impactos, relativamente ao fim das moratórias, foram muito menores do que o que esperávamos”, disse o CEO do BPI, que adiantou, no entanto, que acredita que “vai haver impactos, mas não são é simétricos e não vão ser esperados todos na mesma altura”.
Em termos de reestruturações (0,5% do total da carteira), o CEO disse que eram montantes relativamente baixos “de alguma dezenas de milhões de euros”, disse o banqueiro.
Em termos de qualidade da carteira de crédito, o rácio NPE (definição EBA para malparado) do BPI diminuiu para 1,5% e é um dos mais baixos do mercado. A cobertura de NPE por imparidades e colaterais aumentou para 153%. A cobertura só por imparidades é de 90%.
No que toca às linhas de crédito, o BPI recebeu cerca de 12,2 mil candidaturas às linhas de crédito de apoio público Covid-19 correspondentes a 1,1 mil milhões de euros em crédito contratado pelo BPI.
Refere-se o banco a linhas Covid de apoio à economia com garantia pública (SGM) e linha de crédito com garantia do FEI, de apoio às PME em virtude da Covid-19.
João Pedro Oliveira e Costa desvalorizou o impacto do fim das moratórias nas contas dos bancos. “Preocupa-me mais a baixa rentabilidade da banca do que as imparidades decorrentes das moratórias”, disse o CEO do BPI.
Mas admite um impacto negativo em alguns sectores, que ainda se irá fazer sentir. “Não estamos a sentir ainda empresas com dificuldades [decorrente da crise das matérias-primas e custos de transportes]”, referiu o CEO. Mas acrescenta que “mantemos a preocupação dada a incerteza relativamente ao tempo da normalização”.
João Pedro Oliveira e Costa disse que o BPI iria manter a folga que o banco tem nas imparidades, e que segundo os números de setembro, são de 69,5 milhões de euros. “Não revertemos ainda imparidades e vamos manter as imparidades não alocadas durante mais algum tempo”, disse o presidente do banco, explicando que é o que todos os bancos estão a fazer.
O CEO disse que dessas imparidades não alocadas de cerca de 70 milhões o banco irá utilizar uma parte ainda este ano “com muita previsibilidade”. Mas “devemos continuar a manter imparidades não alocadas, no próximo ano”, adiantou.
A situação das empresas pode ter alguns reveses, até porque o período de carência de 18 meses concedido à linha de apoio ao Covid acaba agora e as empresas vão ter de começar a pagar, lembrou o CEO. Isto além do fim das moratórias. Estas linhas de crédito Covid são garantidas pelo Estado através das Sociedades de Garantia Mútua, pelo que se as empresas não conseguirem pagar cabe ao Estado assumir o pagamento aos bancos.
“Essas linhas são de 1,1 mil milhões de euros, mas recordo que, além de o BPI ter feito uma análise muito forte de todos os clientes a quem concedemos esse crédito, são créditos com garantias das SGM, por isso não prevemos daí nenhum problema, mas é preciso tem presente que a necessidade de pagamento desses créditos em seis anos vai aparecer agora e por isso podem surgir alguns problemas em algumas empresas”, lembrou o CEO do BPI.
O presidente do BPI não antevê, no entanto, um aumento significativo do custo do risco de crédito em 2022.
João Pedro Oliveira e Costa fez questão de salientar que a banca substituiu-se ao Estado no apoio durante a crise pandémica.
O CEO do BPI acredita no crescimento económico em 2022 e 2023 (mais ténue em 2023) e não quis falar da crise política atual.
https://jornaleconomico.pt/noticias/lucros-do-bpi-sobem-181-para-242-milhoes-de-euros-803261
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