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Portugal consegue financiar-se em 1,5 mil milhões a curto prazo com juros negativos

Portugal na sua primeira emissão de dívida de bilhetes do tesouro do ano, emitiu 1.500 milhões de euros em dívida de curto prazo, 495 milhões de euros a 6 meses e 1.005 milhões de euros a 12 meses.
19 Janeiro 2022, 11h28

O IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública foi esta quarta-feira aos mercados emitir dívida de curto prazo, tendo colocado um total de 1.500 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (BT) a seis e 12 meses.

Portugal colocou os títulos com a maturidade mais curta (6 meses) a juros negativos.

A emissão de Bilhetes do Tesouro (BT) a 6 meses (com data de vencimento em julho 2022) foi colocado com uma taxa/yield de -0,596%. O valor da emissão foi de 495 milhões de euros e a procura superou 2,76 vezes a oferta.

Depois, no leilão de Bilhetes do Tesouro (BT) a 12 meses (com data de vencimento em janeiro 2023), a taxa/yield foi de -0,574%. O montante da emissão foi de 1.005 milhões de euros e a procura foi de 1,67 vezes a oferta.

Filipe Silva, do Banco Carregosa, diz sobre as emissões de Bilhetes do Tesouro, que “a variação das taxas na dívida de curto prazo não tem sido grande, o último leilão comparável foi realizado em julho de 2021 para o prazo de 12 meses e face ao mesmo vemos a taxa subir dos -0,594% para os -0,574%, já nos 6 meses a taxa fixou-se nos -0,596%”.

O analista do Banco Carregosa acrescenta que “os bancos centrais têm estado sob alguma pressão, devido aos fatores como inflação, interrupção nas cadeias de abastecimento e elevados preços de energia, fatores que os levaram a  iniciar os primeiros ajustes às suas políticas monetárias, no entanto e como ainda estamos numa fase de recuperação das economias, não se esperam que estes ajustes sejam muito agressivos”.

“Os planos de compra de estímulos começaram a ser retirados e a expetativa dos mercados é que comecemos a assistir a subidas nas taxas de referência, movimento que já é visível nas taxas de médio e longo prazo mas que ainda não afeta muito as de curto prazo. É muito importante, e em particular para Portugal, poder continuar a beneficiar do cenário atual de taxas de juro baixas, para poder fazer faze ao elevado nível de endividamento”, defende Filipe Silva.


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