Os juros de Portugal nas Obrigações do Tesouro a 10 anos, no mercado secundário, superaram a barreira do 1%, pela primeira vez desde abril de 2020. Neste momento estão em 1,04% os juros a 10 anos (+7,37 pontos base), aumentando o prémio de risco face à Alemanha.
Os juros da dívida alemã a 10 anos avançam 1,96 pontos base para 0,23%.
O IGCP vai ao mercado com dois leilões de dívida de longo prazo e arrisca-se a pagar no mercado primário mais do triplo do que pagou em novembro quando pagou 0,314% na emissão de dívida a 10 anos. Isto porque a dívida está a disparar no mercado secundário.
A agência que gere a dívida pública volta ao mercado na quarta-feira. O montante indicativo global das emissões de dívida de longo prazo oscila entre 1.000 milhões e 1.250 milhões de euros. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) vai emitir obrigações do Tesouro com maturidade em 17 de outubro de 2028 e em 17 de abril de 2037.
Mas é não é só Portugal. Os juros espanhóis no mesmo prazo sobem 7,69 pontos base para 1,11% e Itália tem os juros em alta de 9,39 pontos base para 1,86%.
Na semana passada, a presidente do BCE, no seu discurso, deixou cair a afirmação que tinha feito em dezembro de 2021, onde referiu como “muito improvável” uma subida de taxas de juro em 2022 por parte do BCE.
Esta mudança de tom do BCE teve impacto nas expectativas de mercado para a taxa de depósito, onde os investidores estimam cerca de cinco subidas de 10 pontos base até ao fim deste ano, o que representa um acréscimo de duas subidas face ao que era esperado a 2 de fevereiro, trazendo a taxa de depósito para perto dos 0% no fim do ano. Como resposta, as yields de dívida soberana reagiram em alta.
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