A dependência energética da União Europeia de continua a decrescer. Em 2020, o bloco europeu importou 57,5% da energia que consumiu, uma descida de três pontos percentuais (p.p) quando comparado com 2019, altura em que o consumo de energia importada se situava nos 60,5%.
Esta descida, explica o gabinete de estatísticas europeu Eurostat, foi o resultado da variação dos principais componentes deste indicador: as importações líquidas caíram 12,6% e a energia bruta disponível variou 8,1%, esta última influenciada principalmente pela redução da produção primária. Essas mudanças estão também ligadas à procura reduzida devido às restrições da pandemia de Covid-19 e à subsequente crise económica.
As fontes de combustível mais importante no cabaz energético da UED, em 2020 – o petróleo e os produtos petrolíferos (34,5% do combustível total) e o gás natural (23,7% do combustível total) – constituíram as principais importações.
A taxa de dependência de importação do petróleo bruto, a commodity essencial para a indústria petroquímica e para a produção de combustíveis utilizados no transporte, foi a mais alta de todos os combustíveis e diminuiu apenas ligeiramente de 96,8% em 2019 para 96,2% em 2020, interrompendo uma tendência ascendente iniciada em 2015 (95,2%), revela o Eurostat.
A taxa registada em 2019 foi a mais alta desde 1990, quando a dependência da importação de petróleo bruto era de 93,2%. A relativa estabilidade da dependência em 2020 resultou de uma diminuição das importações líquidas (-13,0%) e uma diminuição semelhante da energia bruta disponível (-12,5%).
O gás natural, um importante combustível para a produção de eletricidade e aquecimento no bloco europeu — e que tem sido usada como arma de arremesso entre o conflito da Rússia, Ucrânia e NATO — teve a segunda maior taxa de dependência de importações de 83,6% em 2020, uma queda de seis pp em relação aos 89,6% em 2019, o ano com a maior quota de importação desde 1990. A variação em 2020, explica o Eurostat, foi resultado de uma queda nas importações líquidas (-9,0%) e um menor decréscimo da energia bruta disponível (-2,4%).
Quanto aos combustíveis fósseis sólidos, que representam uma quota pequena e decrescente do cabaz energético da UE (cerca de 10% em 2020), a taxa de dependência das importações foi de 35,8% (-7,4 p.p face a 2019).
Segundo o Eurostat, desde 1990, a taxa global de dependência energética registou outros dois picos, um em 2008 quando a dependência atingiu 58,4% e 2006 (58,3%).
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