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Ocidente tenta confirmar retirada de tropas russas numa altura em que Ucrânia é alvo de ciberataque

O anúncio de que tropas russas estacionadas junto à fronteira com a Ucrânia estariam de regresso aos quartéis foi recebido com ceticismo pelos países ocidentais, pela Ucrânia e pela NATO. Entretanto, bancos e o Ministério da Defesa ucranianos estão sob ataque cibernético.
Reuters
15 Fevereiro 2022, 18h20

O inesperado anúncio da retirada de tropas russas que estavam estacionadas junto à fronteira entre a Rússia e a Ucrânia teve uma tripla consequência: aliviar de imediato o crescendo de confrontação (verbal) entre os dois lados do conflito, tornar um pouco bizarras as declarações de alguns altos responsáveis ocidentais sobre a iminência da guerra (Biden previu a semana, esta, Johnson previu o dia, esta quarta-feira), e fazer regressar o primado da diplomacia.

O Ministério da Defesa russo adiantou que algumas das suas unidades estão de regresso às base no interior do território russo depois de completarem exercícios militares, informou a agência de notícias russa Interfax.

“Unidades dos distritos militares do sul e do oeste, que cumpriram as suas missões, estão a embarcar e seguirão para as suas guarnições ainda hoje”, terça-feira, disse o porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Konashenkov.

O anúncio apanhou de surpresa todas as capitais ocidentais, que nos últimos dias tinham assegurado que a Rússia continuava a concentrar tropas junto à fronteira com a Ucrânia e haviam enviado elementos dos exércitos nacionais para países da NATO próximos da região. Mas os países mais envolvidos nas negociações, Ucrânia, Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido e a própria NATO, responderam com reserva e alguma desconfiança ao anúncio, tendo afirmado rapidamente que teriam de ter provas dessa retirada.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, disse que Kiev só acreditaria que a Rússia estava a tentar diminuir a pressão se visse provas de que as tropas estão mesmo a retirar. “Se virmos uma retirada, vamos acreditar num desanuviamento”, disse.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, disse por seu lado que a aliança não encontrou nenhum sinal de redução da presença militar nas fronteiras com a Ucrânia.

Num primeiro momento, as capitais ocidentais ficaram na dúvida sobre se o regresso de tropas russas se dava entre aquelas que estão estacionadas junto à fronteira com a Ucrânia mas em território russo, ou se o Kremlin falava das tropas russas que se encontram em exercícios na Bielorrússia. Mais tarde, ficou claro que que o Ministério da Defesa russo falava das tropas estacionadas no seu território – e que os militares que se encontram na Bielorrússia ali permanecerão, como previsto, até ao próximo dia 20, o mesmo sucedendo com os exercícios navais no Mar Negro, que também estão programados para terminarem no próximo domingo.

Entretanto, depois da confusão lançada em tornos de uma data possível para a invasão russa, as capitais ocidentais tentaram emendar a mão. As autoridades norte-americanas disseram que não estavam a prever um dia específico para o ataque russo, mas repetiram alertas de que poderia ocorrer a qualquer momento. “Não vou adiantar em uma data específica, acho que não seria inteligente”, disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby, citado pelos jornais norte-americanos.

Ao mesmo tempo, os jornais dão conta de que a Internet pode ser o esteio de um ataque russo de outro tipo à Ucrânia: os sites do Ministério da Defesa do país, as forças armadas, os bancos estatais Privat Bank e Oshchad Bank terão sido alvo de ataques cibernéticos que podem ter origem russa.

Em comunicado divulgado através do Facebook, a agência nacional de segurança cibernética da Ucrânia disse que o internet banking do Privat Bank e do Oshchad Bank – duas das maiores instituições financeiras do país – estão esta terça-feira sob ataque, mas que alguns serviços ainda estão a funcionar.

Os sites públicos do Ministério da Defesa e das Forças Armadas da Ucrânia não estiveram acessíveis durante a tarde.


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