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Ericsson tomba mais de 13% depois de revelações sobre alegados pagamentos ao Estado Islâmico

Através de uma investigação interna que data de 2019, divulgada na terça-feira, os responsáveis da empresa sueca encontraram “graves violações das regras de conformidade” no Iraque, incluindo pagamentos por rotas de transporte para fugir da alfândega local.
16 Fevereiro 2022, 17h50

As ações da Ericsson estão em queda acentuada (13,29%) esta quarta-feira, 16 de fevereiro, após Borje Ekholm, presidente-executivo da fabricante sueca de equipamentos de telecomunicações, ter admitido que poderá ter feito pagamentos à organização terrorista ISIS no Iraque, segundo o “Financial Times”.

Através de uma investigação interna que data de 2019, divulgada na terça-feira, os responsáveis da empresa sueca encontraram “graves violações das regras de conformidade” no Iraque, incluindo pagamentos por rotas de transporte para fugir da alfândega local.

“O que estamos a ver é que as rotas de transporte foram compradas através de áreas controladas por organizações terroristas, incluindo a ISIS”, disse Ekholm ao jornal sueco “Dagens Industri”.

No total, a Ericsson pagou mais de mil milhões de dólares (879,1 milhões de euros) em dezembro de 2019 para encerrar investigações criminais e civis dos EUA sobre corrupção estrangeira em países como a China, Indonésia, Vietname, Djibuti e Kuwait.

O grupo sueco já tinha dito em outubro que o Departamento de Justiça dos EUA havia alertado para possíveis violações às obrigações da empresa sob um acordo de acusação diferido ao não fornecer documentos e informações. No entanto, ainda não foi confirmado que as alegações no Iraque fizeram parte da violação, mas o país não foi um dos cinco mencionados no acordo de 2019.

A Ericsson disse que reivindicações de despesas incomuns que datam de 2018 desencadearam uma investigação interna que encontrou graves violações das suas regras de conformidade e ética por “má conduta relacionada à corrupção”.

As evidências incluíam fazer doações sem um beneficiário claro, pagar a fornecedores sem documentos, usar fornecedores para fazer pagamentos em dinheiro, viagens e despesas inadequadas e uso indevido de agentes de vendas e consultores. A fabricante de equipamentos de telecomunicações também encontrou violações dos controlos financeiros internos, conflitos de interesse, não conformidade com leis tributárias e obstrução da investigação, acrescentou a empresa.

Os investigadores da Ericsson não conseguiram determinar o destinatário final dos pagamentos por rotas alternativas de transporte, mas estes aconteceram num momento em que o Estado Islâmico e outras organizações terroristas controlavam algumas das rotas. A investigação também encontrou pagamentos em dinheiro que “potencialmente criaram o risco de lavagem de dinheiro”.


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