As ações da Ericsson estão em queda acentuada (13,29%) esta quarta-feira, 16 de fevereiro, após Borje Ekholm, presidente-executivo da fabricante sueca de equipamentos de telecomunicações, ter admitido que poderá ter feito pagamentos à organização terrorista ISIS no Iraque, segundo o “Financial Times”.
Através de uma investigação interna que data de 2019, divulgada na terça-feira, os responsáveis da empresa sueca encontraram “graves violações das regras de conformidade” no Iraque, incluindo pagamentos por rotas de transporte para fugir da alfândega local.
“O que estamos a ver é que as rotas de transporte foram compradas através de áreas controladas por organizações terroristas, incluindo a ISIS”, disse Ekholm ao jornal sueco “Dagens Industri”.
No total, a Ericsson pagou mais de mil milhões de dólares (879,1 milhões de euros) em dezembro de 2019 para encerrar investigações criminais e civis dos EUA sobre corrupção estrangeira em países como a China, Indonésia, Vietname, Djibuti e Kuwait.
O grupo sueco já tinha dito em outubro que o Departamento de Justiça dos EUA havia alertado para possíveis violações às obrigações da empresa sob um acordo de acusação diferido ao não fornecer documentos e informações. No entanto, ainda não foi confirmado que as alegações no Iraque fizeram parte da violação, mas o país não foi um dos cinco mencionados no acordo de 2019.
A Ericsson disse que reivindicações de despesas incomuns que datam de 2018 desencadearam uma investigação interna que encontrou graves violações das suas regras de conformidade e ética por “má conduta relacionada à corrupção”.
As evidências incluíam fazer doações sem um beneficiário claro, pagar a fornecedores sem documentos, usar fornecedores para fazer pagamentos em dinheiro, viagens e despesas inadequadas e uso indevido de agentes de vendas e consultores. A fabricante de equipamentos de telecomunicações também encontrou violações dos controlos financeiros internos, conflitos de interesse, não conformidade com leis tributárias e obstrução da investigação, acrescentou a empresa.
Os investigadores da Ericsson não conseguiram determinar o destinatário final dos pagamentos por rotas alternativas de transporte, mas estes aconteceram num momento em que o Estado Islâmico e outras organizações terroristas controlavam algumas das rotas. A investigação também encontrou pagamentos em dinheiro que “potencialmente criaram o risco de lavagem de dinheiro”.
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