O primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau disse esta quinta-feira que o Estado de emergência que o governo decretou há pouco mais de 24 horas é “o último recurso contra os bloqueios ilegais” promovidos pelos manifestantes que há 21 dias consecutivos se queixam da forma como a pandemia de Covid-19 está a ser combatida.
A Lei da Emergência, introduzida em 1988 e nunca até agora usada no Canadá, e o estado de emergência vão ser analisados pela Câmara dos Comuns do país, onde o primeiro-ministro tem uma maioria relativa – mas onde se encontram deputados do seu partido que são muito críticos da forma como o executivo está a responder ao problema.
Trudeau diz que os poderes extraordinários previstos na lei estão a ser usados apenas por causa do bloqueio ilegal de algumas cidades e infraestruturas críticas para a vida normal do país. Mas a líder conservadora Candice Bergen diz que o seu partido, o segundo no parlamento, não apoia o uso da lei porque o governo não provou que as manifestações representam uma séria ameaça à soberania, à segurança ou à integridade territorial do Canadá. O debate parlamentar pode, neste contexto, ser mais um problema político para Justin Trudeau.
Entretanto, a polícia voltou a distribuir panfletos com palavras duras sobre os manifestantes, alertando para as “severas punições” sobre todos que recusarem interromper as “atividades ilegais” e remover os seus veículos dos locais de protesto.
A longa lista de possíveis consequências incluí a prisão com acusação formal, a apreensão dos veículos que participam nos bloqueios, a suspensão ou cancelamento de licenças de condução e de registo de operador de veículos comerciais. Aqueles que forem acompanhados de crianças menores nos protestos podem ser acusados e multados.
Algures na manha desta quinta-feira dezenas de policiais foram colocados junto do grosso dos protestos na capital, Otava, o que fez correr a notícia de que uma intervenção musculada podia estar para breve. Para já, essa intervenção não aconteceu, mas a tensão entre manifestantes e as forças da ordem vão crescendo todos os dias, segundo os relatos da imprensa canadiana.
Pat King, o organizador do ‘Freedom Convoy’, assim se chama a manifestação, estava a transmitir ao vivo o posicionamento da polícia e a pedir nas redes sociais (onde uma parte substancial da mobilização tem sido levada a efeito) que “centenas de milhares” de pessoas de Otava descessem às ruas e apoiassem o protesto .
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