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‘Família Bitcoin’ quer construir uma vila sustentável no sul de Portugal para cripto-nómadas (com áudio)

Didi Taihuttu, pai da ‘familia Bitcoin”, vendeu todos os seus bens — incluindo a casa e o carro—, investiu tudo na criptomoeda e mudou-se para Portugal. Hoje, com a Bitcoin a transacionar perto de 38 mil dólares por criptomoeda, o holandês encara o país como um paraíso fiscal onde pretende inaugurar uma vila para cripto-nómadas.
24 Fevereiro 2022, 08h05

Didi Taihuttu, pai da família holandesa que é agora conhecida como “Família Bitcoin” tem como objetivo criar uma vila no sul de Portugal para cripto-nómadas. Ao Jornal Económico (JE), o responsável diz ter como ambição que a vila seja sustentável, embora reconheça que o futuro dela esteja dependente do atual código fiscal para criptomoeda,s uma vez que em Portugal não se tributa os ganhos sobre moedas digitais.

Taihuttu vendeu todos os seus bens — incluindo a casa e o carro — e investiu tudo em Bitcoin quando a criptomoeda estava a transacionar a apenas 900 dólares (796 euros) por criptomoeda. Hoje, a Bitcoin está a transacionar perto de 38 mil dólares (33 mil euros) isto depois de já ter chegado aos 69 mil dólares (61 mil euros) por criptomoeda, a 10 de novembro. Atualmente a família viaja o mundo à procura de novas experiências e uma delas será no sul de Portugal.

Assim, a família quer inaugurar no Algarve uma vila sustentável, usando energia renovável, e onde todas as transações sejam feitas em criptomoedas. Ao JE, Didi Taihuttu admite que há dificuldades, mas acredita que o seu sonho é possível de ser realizado.

“É lógico que vamos ter alguns problemas. Mas vamos trabalhar para que seja o mais perfeita possível”, explica, reconhecendo que, embora não pretenda “construir algo que seja perfeito para todos” soma atualmente “400 inscrições de pessoas que vivem em Portugal e que querem viver nesta nova cidade. Há muita gente interessada”.

Didi quer que o terreno seja divido e que seja vendido em formato NFT para os interessados — à semelhança das casas que vão ser construídas naquela localidade. Apesar destas mudanças, Didi garante que a família não está “aqui para perturbar a forma de viver dos portugueses”, mas sim, “para melhorá-la”.

“Queremos mostrar que é possível viver de uma outra forma”, frisa.

No entanto, todo este projeto está dependente da manutenção da política fiscal para as criptomoedas, que, para particulares em Portugal, é de 0% — um tema que, de acordo com o jornal “Eco“, vai marcar a agenda da próxima legislatura. O Governo aguarda que a legislação sobre o Código do IRS seja alterada para poder começar a taxar as criptomoedas, à semelhança do que já acontece em Espanha e em França.

Caso isso mude, Didi Taihuttu diz que abandonará o país ainda que continue a gostar das pessoas, do tempo, da comida e das praias. Para já, o holandês mantém se esperançoso de que a sua ambição possa ser bem-sucedida: “este é o nosso sonho e eu acredito que possa ser feito”, frisa, ainda que não tenha solução para tudo, como água canalizada.


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