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Fundos de mercados emergentes reduzem exposição à Rússia, segundo Morningstar

A intervenção da Rússia na Ucrânia e a resposta conjunta dos países ocidentais e de outros provocou uma disrupção nos mercados. Por outro lado, colocou os gestores de fundos de ações e suas carteiras sob um teste de stress em tempo real.
Andrew Kelly/Reuters
7 Março 2022, 15h35

A invasão da Ucrânia pela Rússia e a resposta conjunta dos países ocidentais e de outros, provocou uma disrupção nos mercados. Por outro lado, colocou os gestores de fundos de ações e suas carteiras sob um teste de stress em tempo real, revela uma análise da Morningstar, divulgada esta segunda-feira.

À luz dos sell-offs e das sanções ocidentais, a Morningstar que atribui rating aos fundos de investimento, analisou as mudanças nas carteiras dos mercados emergentes.

“Os nossos analistas entraram em contacto com os gestores de fundos de mercados emergentes globais com rating para perceber a sua opinião sobre as implicações no mercado e as ações que estão a investir nos seus portfólios”, refere a empresa que faz análise da gestão de ativos.

“Como esperado, as ações russas sofreram vendas massivas quando as notícias da crise surgiram. Alguns gestores de carteiras com exposição a ações russas reduziram significativamente a exposição. Outros ajustaram os pressupostos da sua política de investimento e as estimativas de avaliação, mas mantiveram suas participações. Em alguns casos, é ambos. A MSCI também anunciou que, a partir de 9 de março de 2022, o mercado russo será removido dos seus índices de mercados emergentes. A capacidade de negociar essas ações agora é praticamente impossível.

Os principais gestores de ações de mercados emergentes globais tendem a ter uma exposição limitada a ações russas. Por causa disso, não houve necessidade de suspender a negociação, e os gestores dos fundos relataram condições de negociação relativamente normais em termos de entradas e saídas de investidores (resgates)”, diz a Morningstar que adianta que no entanto, “como os fundos de negociação diária precisam produzir valores de ativos líquidos diários, o preço das participações russas tornou-se um problema”.

Principais conclusões sobre o impacto nos Fundos de Mercados Emergentes Globais

Entre os gestores de fundos, a situação permanece altamente incerta. Os gestores permanecem atentos para perceber de onde podem surgir mais impactos em relação às sanções.  O GQG Partners Emerging Markets Equity (da Austrália) reduziu drasticamente a sua exposição à Rússia. A participação do fundo era de cerca de 16% dos ativos em dezembro de 2021, de acordo com as divulgações do fundo, mas mais recentemente, a empresa informou que tinha apenas cerca de 3,7% dos ativos restantes na Rússia.

O britânico Fidelity Emerging Markets entrou na crise com uma sobre-exposição  (overweight) à Rússia em relação ao benchmark que é o índice MSCI Emerging Markets Index (7,6% versus 3,3% no final de janeiro de 2022). “Desde então, conseguiram reduzir sua exposição a ações russas, totalizando agora cerca de 2% através de cinco participações individuais: Sberbank, Gazprom, TCS Group, Novolipetsk Steel e Phosagro.

James Syme, gestor da britânica J O Hambro Capital Global Emerging Markets Opportunities, com classificação Bronze dada pela Morningstar, reduziu substancialmente a exposição a commodities. No final de janeiro, a alocação do fundo à Rússia era de cerca de 4,7%, representando uma sobre-exposição de 1,4% face ao índice, através de posições em Global Depositary Receipts (GDR) da Gazprom (2,3%); GDRs do Sberbank (1,7%) e GDRs do Globaltrans (0,7%).

A exposição desde então caiu. Por exemplo, o Sberbank foi vendido e o gestor declarou a carteira não tinha exposição a títulos suspensos.

Alguns gestores entraram na crise com uma posição de sub-exposição à Rússia, como o JPM Emerging Markets, gerido por Leon Eidelman. A estratégia tem sido historicamente de sub-exposição face ao índice de alocação em títulos de empresas de energia e de matérias-primas. Essas áreas tendem a ser evitadas porque são sensíveis ao preço das commodities e, portanto, carecem de poder de decisão dos preços e são considerados pouco atraentes do ponto de vista da governance corporativa.

No final de janeiro, a única exposição do fundo à Rússia era sua posição de 1,1% no Sberbank; no final de fevereiro, o fundo não tinha qualquer exposição ao país.

O Sberbank, uma das ações russas mais amplamente detidas pelos fundos, é um dos maiores alvos das sanções porque o Estado possui metade do banco.

O banco russo conseguiu continuar a operar  a seguir às sanções impostas após a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 apesar dos limites à captação de capital e à venda de créditos.

As restrições avançadas na semana passada impedem que a instituição negocie com os EUA, o que pode afetar seu valor intrínseco. Esse valor pode cair ainda mais se o banco for uma das instituições retiradas da SWIFT.

Recorde-se que a União Europeia excluiu sete bancos russos do sistema SWIFT. O código SWIFT, também conhecido como BIC (Bank Identifier Code) identifica bancos e agências para transferências internacionais.

A medida, a entrar em vigor em 12 de março, visa isolar a Rússia e condicionar fortemente o financiamento da sua máquina de guerra e abrange os bancos VTB (o segundo maior banco russo), bem como o Banco Otkritie, o Novikombank (finanças industriais), o Promsvyazbank, o Rossiya Bank, o Sovcombank e o VEB (banco de desenvolvimento do regime), de acordo com a lista publicada esta quarta-feira no Jornal Oficial da UE, depois de longas discussões nos últimos dias entre os Estados-membros para determinar as instituições visadas.

Duas grandes instituições bancárias russas não são abrangidas por esta exclusão do sistema SWIFT, designadamente o maior banco da Rússia, o Sberbank, e o Gazprombank, o braço financeiro do gigante dos hidrocarbonetos, através do qual é canalizada a maior parte dos pagamentos para as entregas de gás e petróleo russo à UE, pelo que alguns Estados-membros seriam muito afetados negativamente.

O Brandes Emerging Markets Value não acredita necessariamente que o valor tenha sido permanentemente prejudicado no Sberbank, uma vez que ainda é o banco dominante da Rússia, com um forte balanço patrimonial suportado principalmente por depósitos locais e um retorno sobre o património de 22%. Como alternativa ao SWIFT, a Rússia poderia recorrer ao seu próprio sistema de pagamentos ou à rede chinesa.

A participação da Invesco Developing Markets em ativos russos encolheu para cerca de 4% no final de fevereiro face a 9% no final de 2021. Apesar da turbulência, o gestor do fundo ainda gosta das duas ações que respondem por 80% da exposição do fundo à Rússia – a Yandex e Novatek — cujo valor tombou, diz a Morningstar.


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