O presidente norte-americano Joe Biden deverá impor uma proibição às importações de energia russa ainda esta terça-feira sem a participação da União Europeia (UE) embora a decisão tenha sido tomada “em consulta com os parceiros europeus”, revelam fontes familiarizadas com o assunto à “Bloomberg”.
A proibição incluirá petróleo, gás natural liquefeito e carvão. Até ao momento, porta-vozes do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca recusaram-se a comentar, embora esta segunda-feira, a Casa Branca tenha garantindo que nenhuma decisão tinha sido tomada.
“Essas discussões estão em andamento internamente e também com nossos colegas e parceiros na Europa e em todo o mundo”, disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki. A Europa importa muito mais petróleo da Rússia do que os EUA, disse, pelo que estão “muito cientes” de que as capacidades são bastante distintas.
Biden foi pressionado em termos de urgência da medida dado que o Congresso se preparava para agir esta semana antes da Casa Branca. A perspetiva de uma proibição de importação de petróleo está a contribuir para levar o petróleo aos níveis mais altos desde 2008.
O gás e o petróleo da Rússia até agora foram poupados das sanções introduzidas pelos EUA e países europeus devido à preocupação com o impacto económico, principalmente na Europa, que tem maior dependência do petróleo russo e, em particular, do gás natural.
Os EUA importam cerca de 700 mil barris por dia de petróleo e derivados russos, incluindo óleo combustível, de acordo com a Energy Information Administration. No geral, representaram cerca de 8% do total e em 2022 caíram para o ritmo anual mais lento desde 2017, segundo a empresa de inteligência Kpler.
Seria muito mais difícil cumprir uma proibição para a Europa, que importa cerca de 4 milhões de barris por dia de petróleo e produtos refinados russos, segundo dados do Eurostat. A Rússia é de longe o maior exportador de petróleo bruto para a União Europeia, respondendo por 27% das importações em 2019, segundo a Comissão Europeia.
Segundo a a “Bloomberg”, autoridades do governo em discussões privadas disseram que deveriam enfatizar os esforços para acelerar a transição para energias renováveis e expandir a produção doméstica de energia, segundo fontes anónimas familiarizadas com as conversas. Contudo, a Casa Branca não está a planear nenhuma iniciativa nova.
Não obstante, num sinal de que os EUA estão a tentar reunir outras fontes de energia, dois altos funcionários reuniram-se no fim-de-semana com membros do governo do presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas para discutir o fornecimento global de petróleo e os laços do país com a Rússia, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
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